Bush não atende FHC, mas O'Neill volta atrás
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segunda-feira, 24 de junho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou na sexta-feira para o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para reclamar das declarações que o secretário do Tesouro, Paul ONeill, havia feito horas antes, aumentando a falta de confiança do mercado de capitais nas condições estruturais da economia brasileira. Bush não atendeu Fernando Henrique, mas a iniciativa do presidente brasileiro, articulada numa reação sem precedentes do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, produziu efeitos rápidos.
Malan falou com o próprio ONeill e Armínio, com o subsecretário do Tesouro, John Taylor. ONeill voltou atrás por meio de uma nota divulgada na sexta-feira, em Washington, e transmitida às redações dos jornais no Brasil pela embaixada americana.
ONeill ajudou a agravar a crise de confiança no Brasil ao afirmar que se oporia à concessão de mais créditos do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao País, fazendo com que as autoridades brasileiras lembrassem o governo Bush de que não estão solicitando tais créditos e que têm um acordo com o Fundo que só termina em 13 de dezembro.
Em sua manifestação espontânea, o secretário do Tesouro disse que a causa dos problemas do País não era econômica, mas política, e que jogar dinheiro do contribuinte americano na incerteza do Brasil não lhe parecia uma idéia brilhante. A articulação de Fernando Henrique, Malan e Armínio mostrou que as declarações haviam provocado reações ainda mais pessimistas no mercado e prejudicaram os esforços do governo para acalmar os investidores.


