Bush é contra nova proposta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Paulo Sotero<br> Agência Estado 
Depois de afirmar que só se envolveria diretamente na elaboração de nova lei de apoio à agricultura no momento da negociação das diferenças entre as propostas aprovadas pelas duas casa do Congresso, a administração Bush surpreendeu o comando republicano na noite de quarta-feira, anunciando sua oposição a um projeto em tramitação na Câmara que destina US$ 170 bilhões em subsídios à agricultura nos próximos dez anos. Esse montante representa um acréscimo de US$ 73 bilhões aos gastos já previstos no setor até o ano 2011. Cerca de US$ 50 bilhões desse adicional são reservados para o apoio à produção das safras que tradicionalmente são as mais beneficiadas, como trigo, milho, algodão, arroz, soja e amendoim.
Embora a lei seja sempre defendida como uma medida necessária para ajudar ''as famílias de agricultores'', a maior parte dos recursos representam transferência de dinheiro público às grandes empresas do agribusiness. Segundo a Casa Branca, metade dos pagamentos à agricultura foi recebida por apenas 8% das propriedades agrícolas, enquanto que metade dos agricultores recebeu apenas 13% da ajuda.
A legislação, que têm também amplo apoio entre os democratas, ampliaria subsídios à produção que são distorcivos aos comércio e reintroduziria o ''preço alvo'', um subsídio que os Estados Unidos já haviam abandonado na última lei agrícola, de 1996. Em sua versão original, esse mecanismo previa o pagamento ao produtor de um preço acima do preço internacional, desde que ele reduzisse a área plantada.
Em sua nova encarnação, o preço alvo dispensa o produtor da obrigação de corte de oferta.
A mudança das prioridades em Washington, depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, e a súbita necessidade de disciplinar o gasto público de forma a concentrá-lo em atividades de estímulo imediato da economia animaram os críticos da legislação dentro da administração a passar à ofensiva.


