Busca por superavit primário
O professor de economia Fabiano Dalto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que a expectativa por um reajuste maior nas tarifas de energia ou o aumento de impostos se deve a um erro repetido pelas administrações federais brasileiras nos últimos 30 anos. Ele vê uma ânsia exagerada para que as contas terminem o ano com superavit primário, que é o saldo entre receitas e gastos que servem como garantia de que o País terá dinheiro para pagar juros de dívidas públicas e que facilita a entrada de investimentos estrangeiros.
Ele diz que, historicamente, governos de economias desenvolvidas costumam operar em deficit, como os Estados Unidos, porque isso significa que o setor privado está recebendo mais do que paga em tributos. "A autoimposição do governo por superavit primário é uma estupidez e isso leva a decisões monetárias como a alta da taxa de juros pelo Banco Central", diz.
Para o economista, o ciclo prejudicial se completa porque o aumento do custo do crédito inibe investimentos, o crescimento do País e gera mais gastos por parte do governo para pagar juros de títulos públicos. "E isso não traz benefícios à economia." (F.G.)





