O recorde de vendas de veículos leves em agosto e a corrida às concessionárias motivada pelos últimos dias de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido levaram à falta de modelos nas revendedoras de Londrina. A fila de espera chega a 40 clientes para determinados carros e há marcas que precisam de até 45 dias para entregar um veículo.
Com descontos que chegam a 7% no valor dos modelos 1.0, os gerentes de concessionárias esperam movimento ainda maior até o dia 31, quando se encerra o prazo para comprar veículos com IPI reduzido. Por isso, as empresas londrineses optaram por fazer plantões de venda neste fim de semana, mesmo com o segundo turno da eleição municipal.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, Flávio Meneghetti, diz que a tendência é que o governo federal não renove o benefício, como fez há dois meses. ''Não há indicativo de que isso vá ocorrer, muito pelo contrário. Até gostaríamos, mas não deve acontecer'', conta.
Ele credita a falta de modelos ao costume do brasileiro de deixar até mesmo as compras para a última hora. ''Tivemos um setembro frio, os primeiros dez dias de outubro fracos e não há como atender novos pedidos em tão pouco tempo.''
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) foi procurada ontem para responder se a falta de veículos poderia ser resolvida com a ampliação da capacidade instalada da indústria, mas informou, via assessoria, que a escassez de modelos era questão de cada empresa.
Sem opções
Entre os veículos em falta em Londrina, com base em consulta por telefone na tarde de ontem, as concessionárias da Fiat, Ford, GM e Volkswagen estão com modelos nas últimas unidades. Na Fiat, são o 500 e o Freemont. A VW sofre com a escassez de Fox e Crossfox. Na GM, faltam veículos Celta, Cruser, Cobalt e Spin. A Ford tem estoque em baixa para Nova Ecosport, Nova Ranger, New Fiesta e Fiesta, além do Ka.
O diretor comercial da Fiat Marajó, Eduardo Meneghetti, conta que o movimento subiu 12% entre o fim de semana retrasado e o passado. Ele diz que conseguiu fechar uma compra de 400 unidades recentemente, mas que torce para a ampliação do IPI reduzido para manter as vendas. ''Novembro e dezembro sempre são movimentados por causa do 13º (salário) e esse é meu medo. Como sempre é bom, podem confiar demais nessa tendência e cortar o benefício.''
Na Cipasa, da VW, o gerente de vendas Sidney Fonseca conta que houve maior procura de clientes ontem, em uma segunda-feira, do que na última sexta, dia geralmente mais movimentado. ''O cliente acaba abrindo mão de determinada cor, de opcionais menos importantes, para fechar o negócio'', afirma.
O gerente de vendas da Metronorte, concessionária da GM, Leonardo Spaine, conta que há risco de clientes desistirem da compra se não puderem comprar o modelo da GM que querem com IPI reduzido. ''Alguns flexibilizam, mas outros preferem arriscar até o mês que vem'', diz. Na Tropical, da Ford, o gerente comercial Fábio Citta afirma que está com 50 clientes na lista de espera, na expectativa de contar com o preço mais baixo mesmo que com atraso. ''A fábrica ainda não nos informou se vai garantir o preço com desconto e estamos em negociação.''

Imagem ilustrativa da imagem Busca por IPI reduzido leva à falta de carros em Londrina
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