Washington - A lentidão administrativa trava muitas vezes o crescimento, freando a criação de empresas, em especial nos países em desenvolvimento, segundo um estudo publicado ontem pelo Banco Mundial (Bird). A entidade analisou no total de 145 países em 2003 e 2004, de acordo com cinco critérios: criação de uma empresa, contratação e demissão, aplicação de contratos, obtenção de créditos e fechamento de empresas.
A Nova Zelândia ficou em primeiro lugar nos países com ''facilidade para fazer negócios'', seguida pelos Estados Unidos, Cingapura, Hong Kong e Austrália, enquanto a Eslováquia e a Colômbia realizaram a maior quantidade de avanços, revelou o informe. ''Os países pobres que precisam muito de novas empresas e trabalhos correm o risco de se afastar ainda mais em relação aos países ricos, que estão simplificando seus regulamentos e fazendo seu ambiente mais favorável aos investimentos'', disse Michael Klein, vice-presidente para o desenvolvimento do setor privado do Bird. Segundo o estudo, 36 das 89 reformas conseguidas foram em países membros da UE.
A Eslováquia é citada assim como exemplo por ter introduzido horários de trabalho flexíveis, facilitado a contratação de jovens que entram no mercado de trabalho, instaurado registros privados de créditos e reduzido pela metade os prazos para criar uma empresa.
Os 10 maiores reformadores no último ano foram, além da Eslováquia, Colômbia, Bélgica, Finlândia, Índia, Lituânia, Noruega, Polônia, Portugal e Espanha. Entretanto, os avanços foram muito desiguais em nível mundial. Menos de um terço dos países pobres fizeram reformas no ano passado e as nações africanas continuam no final da fila, com grandes dificuldades na contratação e demissão, assim como para o fechamento de empresas inviáveis.
Segundo o estudo do Bird, para criar uma empresa os países pobres ainda devem enfrentar custos administrativos três vezes maiores que os países ricos, duas vezes mais processos burocráticos e regulamentações rígidas e prazos duas vezes maiores.
Diante de todas estas dificuldades, não surpreende que 40% da economia nos países pobres seja informal, na qual as mulheres, os jovens e os trabalhadores com pouca formação pagam um ''preço caro'', sem falar da ausência de uma perspectiva favorável do crescimento, anuncia o Banco Mundial.

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