Kraw PenasSofrimentoFila na Receita Federal: muitos contribuintes ficam até três horas na espera sem necessidadeHoras de espera na fila, desinformação e falta de prestação de serviço. Estes têm sido os problemas constantes na Receita Federal, segundo reclamações de contribuintes que foram chamados para acertar as contas com o Leão ou que precisam do órgão federal para algum tipo de trabalho. As filas nos guichês da Receita são constantes e quatro funcionários se revezam para atender em média 800 pessoas que circulam todos os dias pelo prédio. O resultado é demora no atendimento e a consequente revolta da população.
As filas de espera se agravaram desde o mês passado, quando muitos funcionários entraram em férias. Somente neste mês, metade dos 250 servidores públicos está de férias. Há ainda o déficit de pessoal. A Receita deveria estar trabalhando com 370 funcionários, mas tem hoje 120 a menos. A maior parte que pediu demissão era do setor técnico. As vagas não devem ser repostas totalmente.
A falta de pessoal provoca os congestionamentos já no saguão de entrada do prédio da Receita. Todos os dias, por volta das 11 horas, há uma fila de quase 100 pessoas a espera de atendimento. Só 60 ou um pouco mais serão atendidos, o restante volta no dia seguinte e, se tiver sorte, será recebido por um dos funcionários. Cada atendimento pode durar de 15 minutos até meia hora. O expediente dura seis horas.
O engenheiro agrônomo Nilo Sobral Ramos foi um dos contribuintes que não teve sorte nas primeiras vezes que foi até o prédio da Receita Federal. Ele foi chamado para explicar algumas deduções que fez na declaração do Imposto de Renda do ano passado. Conforme previa o manual de instruções, ele deduziu os gastos com a previdência privada, com a pensão alimentícia e com a doação a instituições beneficientes. ‘‘Mesmo fazendo o que determinava o guia de preenchimento, as deduções foram consideradas irregulares’’, reclama.
Ramos precisou ir quatro vezes à Receita para contornar o problema. Ele enfrentou filas e chegou a perder dois dias de trabalho. ‘‘Depois de tudo isso, consegui comprovar que eu estava certo’’, conta o engenheiro agrônomo. Ramos, que trabalha como técnico na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), protesta contra a maneira como foi atendido. Ele diz que não havia nenhum funcionário para orientá-lo.
Ontem, ele ficou numa fila junto com outros 92 contribuintes. Deste total, somente 36 deveriam estar na fila. Os demais deveriam ir direto aos setores correspondentes, mas por falta de orientação permaneciam esperando. ‘‘O problema é que na portaria, no lugar de um técnico da Receita, fica um funcionário de uma empresa de vigilância’’, afirma o delegado da Receita Federal em Curitiba, Italino Prati.

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