Burocracia dificulta exportação pelo Pacífico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de outubro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A burocracia e a lentidão no processo de entrada na Bolívia são o primeiro desafio a ser superado para viabilizar a rota de exportação pelo Pacífico. O problema foi sentido na pele pelos cerca de 90 empresários de Mato Grosso do Sul, integrantes da expedição que partiu na última sexta-feira de Campo Grande em direção aos portos chilenos de Arica e Iquique. A FOLHA acompanha a caravana.
O início do trecho boliviano da viagem começou no sábado. Com o objetivo de adiantar o processo, o grupo se dirigiu à alfândega na sexta à tarde para apresentar os passaportes. Foram cerca de quatro horas para a conferência dos documentos das pessoas e das 27 caminhonetes que compõem a caravana. No dia seguinte, mais uma hora e meia aguardando a liberação.
A expedição é uma iniciativa do Sindicato das Empresas de Transportes do Mato Grosso do Sul (Setcelog). E tornou-se possível depois que o governo boliviano, com empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), concluiu a pavimentação de um trecho de rodovia entre a fronteira com o Brasil e a cidade de Santa Cruz de La Sierra. Agora é possível chegar até os portos chilenos de Arica e Iquique em estradas asfaltadas.
O presidente do Setcelog, Cláudio Cavol, acredita que a viagem de navio direto do Pacífico até a China é aproximadamente 12 dias mais rápida que a de Santos até o gigante asiático. Por outro lado, o trecho rodoviário fica bem maior. De Campo Grande a Paranaguá são 1,1 mil km. Já até Iquique, 2,3 mil km. Essa diferença seria compensada não somente pela redução da rota marítima, mas pela eficiência e agilidade dos portos chilenos. "O sonho de levar a produção brasileira direto para o Pacífico é antigo. Nossa expedição é para mostrar se isso é possível", afirmou.
Airton DallAgnol, dono da Transportadora Lontano e diretor do Setcelog diz que o desafio é convencer o governo boliviano a desburocratizar e agilizar a entrada e a saída dos caminhões no País.
As dificuldades para viabilizar a rota foram discutidas na segunda-feira em La Paz. A expectativa dos empresários era de se encontrarem com algum ministro de Estado. Mas o governo do presidente Evo Morales escalou para o encontro o deputado nacional Javier Santibáñez, presidente do Comitê de Transporte, Turismo e Comércio da Bolívia.
Ele não respondeu satisfatoriamente as questões levantadas pela caravana. Os empresários queriam saber o quanto o país vizinho está interessado na rota rodoviária ligando a região de Campo Grande aos portos chilenos de Arica e Iquique - a maior parte do trecho se encontra na Bolívia.
"Nosso presidente tem a missão de unir os dois oceanos (Atlântico e Pacífico). Todas as suas preocupações eu vou levar para o presidente conhecer", declarou Santibáñez. Ele disse que os investimentos necessários para tornar a nova rota possível devem ser discutidos em "reuniões de alto nível de presidente a presidente, de ministro a ministro".
Em alguns momentos, citou desavenças políticas com o Chile. Um deles quando foi questionado se o governo poderia agilizar a entrada dos brasileiros na Bolívia. Disse que esse assunto precisaria ser discutido entre as aduanas dos dois países e lembrou que os bolivianos estão sofrendo na fronteira com o Chile. "Temos neste momento um problema sério de caminhões parados na fronteira que não conseguem entrar no Chile", reclamou.
Quando questionado sobre o preço do combustível na Bolívia, que é bem mais caro para os estrangeiros, o deputado respondeu: "Vocês sabem que o governo nacional está subvencionando o combustível para o povo boliviano. Mas esses preços subsidiados são só para os bolivianos", reforçou.


