O Parque Tecnológico de Londrina Francisco Sciarra (PTL) fez dez anos no fim do ano passado e, até hoje, apenas três empresas atuam e uma está em construção no complexo de 50 vagas, localizado na Avenida das Maritacas, no Parque das Indústrias Leves, zona leste. A demora para se consolidar como polo em inovação não se deve à falta de interessados, que hoje são seis. O complicador são as cinco instâncias para aprovação de projetos, a maioria subordinada ao Poder Público.
Maior exemplo do tempo perdido, a Indusbello está há dois anos à espera da liberação de terreno no local, mas ainda não conseguiu a aprovação da Câmara. No ano passado, um pedido do Legislativo para que a empresa de materiais médicos e odontológicos desse uma contrapartida financeira a Londrina fez com que o projeto voltasse à gaveta, já que esse tipo de retribuição não está previsto nas regras para instalação no local.
Proprietário da Indusbello, Julio Cesar Benis acredita que as as eleições e a turbulência política do último ano, quando o ex-prefeito Barbosa Neto foi cassado pelo Legislativo, complicaram a aprovação. "Tivemos até visitas de vereadores à empresa, mas o projeto ficou parado na Câmara."
Ele afirma que a empresa tem 22 anos em Londrina, com 80 postos de trabalho e a necessidade de entrar em uma das vagas do PTL para ampliar a produção. Isso porque a Indusbello já exporta e prepara uma parceria com uma empresa dos Estados Unidos. "Só olham para empresas de fora, então estamos estudando propostas de outras cidades. Mas a gente é bairrista e quer tentar ficar até o fim em Londrina."

Cinco passos

A diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação do Instituto de Desenvolvimento Econômico de Londrina (Codel), Rosi Sabino, afirma que são cinco instâncias para aprovação de projetos, necessárias por se tratar de cessão de áreas públicas a empresas privadas. No entanto, ela diz que o PTL foi desenvolvido com a premissa de que a cidade deve receber em troca apenas a geração de empregos, de inovação e de desenvolvimento industrial. "A contrapartida é gerar mais divisas, mais postos de trabalho e mais impostos."
Depois de apresentado o projeto, o pedido passa pela aprovação do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia e, na sequência, por uma comissão empresarial formada por três representantes da prefeitura, um da Câmara, um da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), um de entidades sindicais de trabalhadores, um da Universidade Estadual de Londrina e um do Conselho Municipal do Trabalho, Emprego e Renda. Antes da aprovação do Executivo, a proposta passa por aprovação na Câmara e é aberta uma etapa para que vereadores possam propor emendas.
Rosi não aponta o dedo para culpar partes envolvidas pela demora. Ela diz apenas que pretende fazer uma articulação próxima a todos os grupos, para que compreendam a importância do parque para o desenvolvimento de Londrina e agilizem o trâmite. "Não vamos atropelar as demandas da cidade, mas não se pode ultrapassar prazos de forma que as empresas acabem indo para outro lugar", diz a representante da prefeitura.
Para o vice-presidente do Legislativo, Gustavo Richa, o primeiro passo é aprovar o Plano Diretor de Londrina, que deve ter reflexo no PTL. Ele diz que é preciso implantar uma política nova, com benefícios, porque há muitas empresas que deixam a cidade por falta de apoio e vão para municípios menores. "Temos de parar de achar que não podemos estender a mão a empresas que trazem emprego e tributos para a cidade."

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