O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Leite Dias, admitiu ontem, em Curitiba, que a burocracia bancária está emperrando a liberação de recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar. Ele confirmou que os R$ 350 milhões previstos para todo o País já foram liberados e estão disponíveis no BNDES, mas problemas internos dos bancos estaduais e privados dificultam o repasse do dinheiro para os agricultores.
‘‘Estamos chegando ao absurdo de ter recursos ‘sobrando’ no banco enquanto o agricultor está precisando de dinheiro e não pode oficializar o empréstimo’’, declarou Dias, que participou ontem do 3º Seminário Estadual de Política Agrícola, promovido pela Fetaep e que reuniu cerca de 100 dirigentes de sindicatos de trabalhadores. O seminário termina hoje.
Segundo o secretário de Política Agrícola, as instituições financeiras estão considerando o empréstimo do Pronaf de alto risco e temem não ter o retorno do empréstimo caso haja uma frustração de safra. ‘‘Precisamos encontrar uma maneira de resolver este problema’’, disse Guilherme Dias. Segundo ele, o governo está atento ao problema, ainda não econtrou uma solução.
‘‘Estamos estudando a possibilidade de instituir um seguro de crédito ou fundo de aval para oferecer algumas garantias aos bancos’’. informou. Para o secretário de Política Agrícola, no entanto, os agricultores devem continuar pressionando os bancos para buscarem uma solução para o impasse.
Qualidade Para Guilherme Dias, o Pronaf é fundamental no processo de melhoria da qualidade da produção agrícola, indispensável no atual cenário de competitividade acirrada com a abertura de mercado. ‘‘O agricultor precisa investir para chegar a um padrão técnico que garanta produção em escala, fundamental para a consquita de uma posição sólida no mercado’’, destacou Dias. Explicou que através do Pronaf cada município vai poder decidir em que área investir. Para ele, dentro deste processo os agricultores devem buscar novos mercados. ‘‘É preciso que o agricultor esteja atento às mudanças que estão havendo no mercado’’, alertou.
Segundo Dias, muitas vezes é mais interessante optar por culturas não tradicionais que alcançar maior valor no mercado. ‘‘Produtos como grãos e algodão não têm mais o mesmo valor que tinham há 12 ou 15 anos’’, destaca.

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