Agência Estado
De Washington
Um problema de informática, que muitos consideram ter sido exagerado, ganhou relevância na 54ª reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird). Todos – desde os mais altos funcionários das duas instituições até representantes do G-7 (grupo dos sete países mais ricos) e o ministro da Fazenda, Pedro Malan – colocaram o ‘‘bug do ano 2000’’ na lista de suas preocupações futuras.
Ao enumerar os principais riscos para economia brasileira, que está começando a superar a crise financeira, a vice-diretora do Departamento de América Latina no FMI, Teresa Ter-Minassian, citou em primeiro lugar o ‘‘bug do ano 2000’’. Os efeitos do aumento dos juros dos Estados Unidos, previsto para este ano, e de uma possível reestruturação da dívida externa do Equador também preocupam – mas ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
O ‘‘bug do ano 2000’’ é o apelido de um problema nos programas dos computadores mais antigos, que usam apenas dois dígitos para identificar as datas. Se não forem reprogramados, o dia 31 de dezembro marcará o fim de ‘‘99’’, mas o dia 1º de janeiro será o começo de ‘‘00’’ – algo que pode ser interpretado pelos computadores como 1900, em vez de 2000. Investidores temem que uma crise de confiança na população em geral leve a corrida aos bancos e consequente falta de liquidez.
Em um relatório sobre o comportamento dos mercados de capitais mundiais, o FMI alerta para a fragilidade das economias emergentes que, apesar de terem reconquistado a confiança dos investidores, continuam ‘‘vulneráveis a choques externos’’.
Um desses ‘‘choques’’ é justamente o ‘‘bug do ano 2000’’. Segundo o chefe da Divisão de Estudos sobre Mercados Emergentes do FMI, Donald Mathieson, ‘‘se os problemas de liquidez aumentarem poderão afetar não apenas as economias emergentes, mas também as companhias de maior risco nos países industrializados’’.
O pânico provocado pelo ‘‘bug’’ já aumentou em meio ponto porcentual as taxas de juros – ou seja, o equivalente aos dois aumentos de taxas de juros norte-americanas deste ano, que tanta ansiedade provocaram no mercado.
Os ministros da Fazenda do G-7 também trataram do ‘‘bug’’, na mesma reunião em que discutiram os problemas das economias japonesa e russa. Pedro Malan lembrou que o medo dos mercados com o ‘‘bug’’ já provocou uma elevação dos spreads aos mesmos níveis daqueles existentes em plena crise russa, em agosto do ano passado. Mas Malan vê também um cenário otimista. Segundo ele, se o mercado tiver exagerado os problemas causados pelo ‘‘bug’’, em janeiro próximo haverá um excesso de liquidez no mercado. Esse dinheiro poderá beneficiar os emergentes, como o Brasil.

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