BS Colway quer anular decisão da Justiça
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A empresa BS Colway, maior indústria de pneus remoldados do Brasil, com sede em Curitiba, vai entrar com pedido de anulação contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em votação do plenário, anteontem, manteve os despachos da presidente da Corte, ministra Ellen Gracie, proibindo a importação de pneus usados pela empresa e pela Tal Remoldagem de Pneus Ltda., de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
O pedido de anulação, de acordo com o presidente da empresa, Francisco Simeão, é um recurso jurídico usado quando há falhas no processo. ''Vou provar que o que ela disse não é verdade. Para isso, vamos apresentar laudos, contas aritméticas, mostrar aos ministros que eles foram induzidos a erro'', explica ele, que espera que com as novas provas a serem apresentadas os ministros mudem seu voto. Além de Ellen Gracie, outros cinco ministros votaram pela proibição da importação. Outros três divergiram das alegações da ministra e votaram a favor das empresas.
Na semana passada, em entrevista à imprensa Simeão afirmou que fecharia as portas da empresa até o dia 19 de dezembro caso não houvesse uma decisão judicial favorável à importação de pneus usados de outros países. Ontem, no entanto, ele disse que pretende primeiro reunir-se com seus advogados de Curitiba e Brasília para avaliar as consequências da nova decisão do STF. Na segunda-feira, ele pretende chamar os 700 funcionários, 1000 escoteiros, 400 Bons Alunos, e 7000 crianças da Vila Cidadnia - comunidades atendidas por programas sociais da empresa - para informar os destinos da empresa.
''Só daí nós vamos poder dizer se teremos uma estratégia para prosseguir ou não'', disse Simeão. Ele adiantou, no entanto, que já assumiu compromisso junto aos empregados garantindo o pagamento de salários até o final de janeiro. Portanto, caso a decisão seja pelo fechamento da empresa, os empregados terão, primeiro, férias coletivas, pára só daqui a um mês receber aviso prévio. Desde a proibição da importação de pneus, 500 funcionários já foram demitidos.
Para ele, o julgamento do STF incorreu em dois problemas: o preconceito e a falta da verdade. ''Os ambientalistas dizem que são contra a importação, porque vêem no pneu um lixo que vai ser descartado, mas é matéria-prima, que vai ter uso'', afirmou. Simeão lembrou, ainda, que além de ser um dos idealizadores da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) n 258/99, que determina o recolhimento da natureza de cinco pneus usados inservíveis para cada quatro que forem colocados no mercado, sua empresa é uma das única a cumprir a lei. ''Nós cumprimos, as multinacionais nunca'', disse.
Sobre a falta de verdade, Simeão questionou as afirmações da ministra Ellen Gracie para sustentar seu parecer. ''Ela diz que as empresas de pneus novos estão cumprindo a resolução, o que não é verdade. Diz que os pneus usados causam danos ambientais, o que não existe nos autos'', ressaltou.


