BS Colway pode recontratar 500 funcionários
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da fábrica de pneus remoldados BS Colway e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), Francisco Simeão, afirmou que pode recontratar os 500 funcionários demitidos no mês passado e voltar atrás na decisão de transferir metade da fábrica de Piraquara para o Paraguai se for resolvido o problema da matéria-prima do setor. As fábricas do segmento sofrem com a proibição da importação de carcaças de pneus usados que são utilizados como matéria-prima pelas indústrias. ''Pela primeira vez encontramos interlocução no governo federal'', disse Simeão, que participou de uma audiência pública ontem na Câmara dos Deputados para expor o problema da possibilidade de demissões em massa no setor.
Simeão e o presidente da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), Hersílio Moura, foram convidados a participar da audiência pública pelo presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, da Câmara, deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Participaram da audiência, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi e o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli. Cerca de 47 trabalhadores da BS Colway e ex-funcionários da empresa também estiveram presentes na audiência.
A BS Colway demitiu 500 funcionários no mês passado e prepara a transferência de metade da fábrica para o Paraguai, de onde poderá importar os pneus proibidos pelo governo brasileiro e exportar seus remoldados para o Brasil.
Após ouvir um depoimento gravado do governador do Paraná, Roberto Requião, na audiência pública, o ministro Lupi prometeu atuar como um mediador na negociação e marcou uma reunião no dia 29 de agosto no gabinete dele, em Brasília, que vai reunir representantes da ABIP, da ABR mas também da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) que representa empresas como Good Year, Pirelli, Michelin e Bridgestone/Firestone.
O governador dissera não ver sentido em proibir a importação dos pneus
usados que servem de matéria-prima à reforma de pneus, porque essa proibição
se dá ''por meio de atos discriminatórios, contra uma atividade lícita,
economicamente viável e ecologicamente correta''.
O advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, entrou no Supremo Tribunal Federal com uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) para que se aplique a proibição para todas as importações de pneus usados. Durante a audiência foi pedido um prazo de 120 dias para que o executivo não faça mais pressão sobre o assunto. Caso o governo federal perca esta ação no STF ainda pode baixar uma medida provisória impedindo todas as importações. Hoje a compra de pneus usados pode ser feita de países do Mercosul. A proibição ameça 50 empresas de remoldagem que empregam 10 mil trabalhadores.


