Curitiba - A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu uma liminar da Justiça Federal que permitia a importação de pneus usados, deve motivar o fechamento da BS Colway em fevereiro. Na sexta-feira, o presidente da fabricante de pneus em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, Francisco Simeão, voltou a afirmar que se o imbróglio no Judiciário não for resolvido, a fábrica fechará as portas em 1º fevereiro.
A declaração de Simeão é em resposta à decisão da ministra Ellen Gracie, do STF, que na última quinta-feira suspendeu a decisão do Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF-4) que permitia ao instituto BS Colway Social a importação de pneus usados, que servem de matéria prima para a produção.
Segundo a assessoria de imprensa do STF, Ellen Gracie levou em conta ''a possibilidade de dano irreparável ao meio ambiente'' e a existência de portarias da Secretaria de Comércio Exterior que vedam a importação de bens de consumo. Simeão, que também é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip), informou que vai recorrer da decisão.
''Não há mais lucro. Antes (2006) vendíamos 200 mil pneus por mês, agora (2007) recuamos para 100 mil por mês. Fizemos uma reunião aqui com os nossos 700 funcionários e asseguramos que até o final de janeiro eles estarão empregados. Mas avisamos também que, se não conseguirmos reverter a situação, no dia 1º de fevereiro de 2008 nós vamos fechar a fábrica'', afirma Simeão.
Ele admite também que, além das demissões, o imbróglio no Judiciário já afetou os programas sociais da empresa. ''Nós não chegamos a diminuir o número de pessoas atendidas, mas bloqueamos a expansão que pretendíamos fazer no 'Bom Aluno' e no grupo de escoteiros.''
Simeão ainda acredita, entretanto, que conseguirá resolver a questão. ''Nós já temos um entendimento com o governo federal.'' No dia 23 de agosto, numa audiência pública na Câmara em Brasília, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, teria se comprometido a cuidar do caso, assim como o próprio presidente Lula, quando esteve em Piraquara. ''É claro que não há unanimidade dentro do governo federal, tanto que está em vigor a portaria que proíbe a importação de pneus usados, mas há uma sinalização favorável.'' Simeão adianta que conseguiu marcar uma reunião com Ellen Gracie para amanhã.
''Todo mundo já sabe que o problema não é ambiental, é exclusivamente de mercado. Não temos como usar as carcaças brasileiras. É uma qualidade impossível de trabalhar. Só que a Advocacia Geral da União não informou à ministra que para importar quatro pneus usados nós temos que coletar cinco pneus inservíveis. Aritmeticamente, aonde agride o meio ambiente?'', argumentou.
Sobre a possibilidade de transferir a fábrica para o Paraguai, em função das isenções tributárias oferecidas naquele País, Simeão disse que ''se tivesse que decidir hoje'', ''eu não iria''. ''Me sinto até piegas, mas a verdade é que estamos comprometidos com a nação'', justifica. A mudança foi ventilada há três meses. Na época, a empresa demitiu 500 funcionários.

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