Brócolis lidera perdas com a geada, com 70% das cabeças queimadas
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segunda-feira, 20 de junho de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Curitiba - O frio intenso, acompanhado de geada que tomou conta do Paraná nas últimas semanas, deixou um rastro de perdas na lavoura. Os prejuízos ainda estão sendo contabilizados pelos produtores, mas já já há alguns números no que envolve a olericultura. Segundo o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR), o brócolis foi a hortaliça mais afetada pelo clima nas últimas semanas, acumulando 70% de quebra na última quinzena, principalmente entre os municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que respondem por 50% da produção de hortaliças no Estado.
A super quebra na colheita do brócolis fez com que a caixa comercializada com 12 cabeças dobrasse de preço (indo de R$ 20 para R$ 40) na Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa-PR). O produto alternativo ao brócolis, a couve-flor, também não aguentou o forte frio, registrando perdas próximas de 70% e com um impacto direto nos preços, fazendo com que a caixa com 12 unidades fosse de R$ 38 para R$ 45. "Tanto o brócolis quanto a couve-flor são culturas que ficam em áreas descobertas, o que as torna mais vulneráveis. Prova disso é que as folhosas, como as alfaces, ficaram em 20% porque a maioria dos produtores adota a plasticultura ou cobre com TNT a plantação", afirma o coordenador estadual da Emater-PR, Iniberto Hamerschmidt.

Mesmo assim, segundo ele, as laterais dessas áreas cultivadas ou áreas que não foram cobertas amargaram perdas significativas. "Hoje, somente a RMC produz 4,5 mil toneladas de alface por mês e pelo menos 900 toneladas foram perdidas. No caso da alface e da cenoura, que possuem variedades de inverno, dá para optar por esse caminho a fim de ter uma cultura mais resistente às baixas temperaturas", sugere o especialista.
Outra recomendação bastante importante dada pela Emater em vários cursos é a de irrigar as lavouras após uma noite com geada. "Umedecendo as culturas antes do sol aparecer, o produtor evita o choque térmico e a queima que danifica o produto", aponta Hamerschmidt. "Há um macete bem eficiente para o caso específico da couve-flor, que é o de usar as folhas para proteger a cabeça da geada. Claro que quando falta mão-de-obra e o produtor possui uns 15 mil pés cultivados isso fica mais complicado de fazer, mas esse cuidado minimiza as perdas. Aliás, o inverno só começou agora, ou seja, esse capricho vai determinar os resultados de cada agricultor nesta estação que ainda trará geada e frio muito rigorosos", alerta.
De acordo com o acompanhamento da Emater-PR, a boa notícia na parte das hortaliças ficou com o repolho, que quase não foi afetado. O Paraná é um dos maiores produtores do País, colhendo uma média de 300 mil cabeças ao ano, a ponto de exportar parte da produção.

Milho safrinha na berlinda
O sufoco na baixa oferta de milho somado à geada agravou a preocupação de toda a cadeia produtiva que depende da cultura, e aguarda a intensificação da colheita do milho safrinha, entre os meses de julho e agosto, para a entrada da produção estimada em 12,1 milhões de toneladas, a fim de ajustar os baixos estoques. De acordo com a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), os números das perdas ainda estão sendo levantados e devem ser revelados junto aos novos números da produção de milho 2ª safra que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai divulgar nos próximos dias. Segundo a Ocepar, no caso das cooperativas, existe uma tranquilidade maior sobre a disponibilidade do produto porque elas já se resguardaram dentro do planejamento de cada cooperado. "De qualquer maneira, dependendo de como for a perda, haverá um aumento de tensão sobre o abastecimento, principalmente para os consumidores industriais", reconhece o assessor da Gerência Técnica e Econômica (GeTec/Ocepar), Gilson Martins.
Os pontos de maior vulnerabilidade com a geada foram as regiões de zoneamento tardio. Como o município de Astorga (Norte), onde a espiga foi atingida antes do amadurecimento pleno. "O que está sendo determinante é a boa gestão, o produtor precisa pensar mais em qual momento plantar devido à forte influência da La Niña neste ano", defende.


