Britânicos prometem pressão contra carne brasileira
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Jamil Chade<br>Correspondente/AE 
Genebra - A pressão por um embargo contra as carnes brasileiras na Europa irá se intensificar a partir de setembro. O presidente do Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu, Neil Parish, e mais quatro deputados vão submeter um pedido oficial nas próximas semanas à União Européia propondo que os produtos nacionais não possam mais entrar no mercado europeu diante das acusações de problemas fitossanitários.
Os deputados, todos britânicos, vão alegar que a carne bovina brasileira pode ser um risco diante dos casos de febre aftosa registrados no Brasil. A decisão de lançar o apelo vem duas semanas depois que casos de aftosa foram registrados nas proximidades de Londres.
Nos primeiros dias após o surto no Reino Unido, os fazendeiros se apressaram a condenar a carne brasileira pela contaminação. Mas foram alertados pelas autoridades inglesas e pela UE que o argumento não seria apoiado pelo governo, que já tinha evidências que o problema vinha de um laboratório local. Mas os produtores da região preferem aproveitar a ocasião para tentar frear as exportações brasileiras, que continuam desbancando a carne inglesa no mercado europeu. O pedido dos deputados será feito quando o Parlamento for convocado após as férias de verão na Europa, que terminam na próxima semana.
Bruxelas aplica um embargo contra as carnes de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, mas os britânicos querem ampliar as barreiras. ''Apenas no ano passado, a Europa importou 333 mil toneladas de carne do Brasil, das quais 30 mil foram para o Reino Unido. 60% dessas importações vêm de regiões afetadas por aftosa. Mas apesar do embargo, o total importado pela Europa dessas regiões caiu apenas 5%'', alega Parish, em um comunicado.
Os veterinários da UE, porém, já deixaram claro que não aceitam os argumentos: ''Nossa posição não mudou: vamos dar até o final do ano para que o Brasil cumpra as recomendações'', avisou a Comissão Européia, braço executivo do bloco.


