Britânicos estão de olho nos supermercados brasileiros
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sábado, 11 de agosto de 2001
Cláudia Bredarioli<BR>Da Agência EstadoDe São Paulo 
Diante de um mercado consumidor praticamente saturado no Reino Unido, as cadeias de supermercados britânicas consideradas por especialistas como um modelo por apresentar as mais altas taxas de rentabilidade estão de olho no Brasil como o principal país sob o foco do processo de internacionalização a que terão de se submeter dentro em breve.
De acordo com o professor especialista em varejo Donald McFetridge, da Universidade de Ulster, na Irlanda do Norte, que também presta consultoria para o setor, há boas oportunidades de negócios no mercado brasileiro e, se empresas como Carrefour e Wal-Mart se estabeleceram no País, não haveria porque uma companhia britânica não fazer o mesmo.
Segundo ele, na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) e na Irlanda do Norte, a redução da taxa de natalidade, somada à resistência das grandes cadeias supermercadistas em apostar em pequenas lojas de bairro ou em menores cidades do interior, o investimento em outros países tornou-se inevitável. Por enquanto, poucas redes têm lojas fora do Reino Unido e elas estão na Polônia, República Checa e Hungria.
''Este é um bom momento para expansão e o Brasil é o hoje o principal mercado, especialmente fora da Europa, em que os ingleses têm interesse'', definiu. Além disso, é preciso considerar a situação diplomática entre os dois países, com interesses de aproximação anunciados claramente pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, durante sua estada no Brasil.
Também em sua primeira visita ao País na semana passada, para ministrar aulas no Programa de Administração de Varejo (Provar) da Universidade de São Paulo (USP), McFetridge mostrou-se surpreso com o que viu nos supermercados da capital paulista. ''Não pensei que esse mercado fosse tão sofisticado no Brasil'', disse o professor. Entre os principais pontos positivos, ele destacou, por exemplo, o avanço nos sistemas de pagamento, com as facilidades das parcelas, e o ambiente agradável das lojas, como nas unidades especiais do Pão de Açúcar.
O especialista esclareceu, contudo, que, antes de pensar nos possíveis investimentos no País provavelmente por meio de aquisição de redes já em funcionamento , será preciso estudar muitíssimo bem o mercado nacional, o que requer tempo.
Mais do que isso, destacou McFetridge, há algumas barreiras a serem superadas, como a questão da língua, da legislação, das embalagens, da moeda utilizada no País, etc. Outro fator estaria relacionado à necessidade de explicar às centenas ou milhares de acionistas de cada uma dessas empresas as vantagens que poderão ter em gastar seu dinheiro num mercado do outro lado do Oceano Atlântico e abaixo da linha do Equador.


