Britânicos apertam crédito e Brasil perde US$ 8 bilhões
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Fernando Nakagawa <br> <br> Agência Estado 
Londres - Bancos britânicos decidiram fechar a torneira do crédito e o Brasil sofreu mais que outros países. Levantamento feito pela Agência Estado com dados do Banco da Inglaterra mostra que o estoque de empréstimos das instituições ingleses aos clientes brasileiros - bancos, empresas e setor público - caiu em US$ 8,016 bilhões entre junho e setembro de 2012. Com isso, o total de operações diminuiu 9,3% no período.
Dados do BC inglês mostram que o volume de empréstimos caiu exclusivamente nas operações para o setor público e para empresas não financeiras. Em seis meses, o estoque para os dois segmentos recuou, respectivamente, 21,9% e 5,8%. Nas transações entre bancos - ou seja, empréstimo de uma instituição inglesa para outra no Brasil - a tendência foi contrária e houve aumento de exatos 20%.
Com esse desempenho, no fim de setembro, o setor financeiro inglês registrava US$ 78,3 bilhões em financiamentos a clientes brasileiros, sendo US$ 38,3 bilhões às empresas privadas não financeiras, US$ 27,6 bilhões ao setor público e US$ 12,4 bilhões aos bancos.
A contração do crédito ao Brasil confirma a avaliação divulgada no início do mês pelo Banco Internacional de Compensações (BIS, na sigla em inglês) que destacava em relatório que, em meio à crise financeira, ''sistemas bancários decidiram reduzir empréstimos aos mercados emergentes'' a partir do segundo trimestre de 2012. A redução, dizia o documento, era mais acentuada em instituições europeias - centro da crise atual.
Emergentes
A retração do crédito inglês ao Brasil foi muito mais acentuada que a registrada em outros mercados. O total de empréstimos aos países em desenvolvimento, por exemplo, caiu a um ritmo bem menor: 1,9% no mesmo período. O BC inglês reconhece, em relatório, que a queda vista em mercados como a China (recuo de 8,4%) e no Brasil (queda de 9,3%) ''acabou anulando o bom desempenho do crédito inglês a outros emergentes'', como a Rússia e Taiwan. Para os clientes russos, o volume de empréstimos aumentou 56% no mesmo período. Já para bancos, empresas e o setor público taiwanês, a expansão foi de 7,1%.
Mesmo fora dos emergentes, o ritmo de queda dos empréstimos foi menos intenso que o visto no Brasil. Entre clientes de países desenvolvidos e mercados ''offshore'' (paraísos fiscais), o total de crédito caiu 4,3% em seis meses.
Em setembro, bancos ingleses mantinham carteira de US$ 4,063 trilhões em crédito internacional, sendo US$ 3,132 trilhões a clientes de países desenvolvidos e paraísos fiscais e US$ 931 bilhões em mercados emergentes.


