São Paulo - Em pleno ano de 2006, as lojas de brinquedos dão a sensação de terem voltado no tempo: lá estão a Moranguinho, as Fofoletes, o Autorama e até o Forte Apache. Brinquedos comuns na infância de muitos pais que agora os compram para seus filhos pequenos.
  A viagem no tempo é confirmada pelos fabricantes. ‘‘A cada 20 anos, mais ou menos, as crianças que um dia brincaram com esses brinquedos tornam-se jovens pais’’, explica Aires José Fernandes, diretor de Marketing da Estrela. ‘‘É comum as empresas relançarem brinquedos com esse intervalo.’’
  Ele diz, no entanto, que os brinquedos da década de 80 estão realmente em alta. ‘‘Nos últimos meses, houve o reforço de uma onda anos 80 muito forte, que também se refletiu na música, nas festas e em algumas publicações. Os brinquedos passaram pela mesma coisa.’’ A empresa relançou, recentemente, as bonecas Moranguinho e as Fofoletes. Para este ano, haverá um investimento grande em Ursinhos Carinhosos, a boneca Amiguinha e o Autorama.
  ‘‘Todos os anos lançamos cerca de 150 produtos e recebemos muitos pedidos de clientes para que relancemos algum brinquedo específico’’, diz. ‘‘Do ponto de vista de empresa, também é muito mais fácil relançar um produto do que criar algo completamente novo. Mas claro que todos virão em versões atualizadas.’’
  Moranguinho e sua turma trocaram os vestidos de babados dos anos 80 por calças jeans e cargo, e o Autorama vem com contador digital de voltas. ‘‘Mas o brinquedo mantém o fascínio. O adulto o vê, lembra de sua infância e deseja que seu filho também tenha bons momentos.’’
  Para este ano, a Estrela vai investir R$ 5 milhões em desenvolvimento de produtos e R$ 10 milhões em divulgação. ‘‘Um relançamento exige tanto investimento quanto um brinquedo novo’’, explica Aires. Além dos brinquedos que voltaram, a Estrela reformulou graficamente jogos clássicos como o Jogo da Vida, Detetive, Cilada e Cara a Cara, que já estão nas lojas.
  Seguindo a linha de produtos anos 80, a rede de supermercados Carrefour colocou ao lado das Moranguinhos e Ursinhos Carinhosos outro produto que já foi produzido por aqui nos anos 80, mas agora é importado: os Pequenos Pôneis. A empresa americana Hasbro, fabricante do brinquedo, transferiu toda a sua produção para a China e exporta para outros países.
  Na Gulliver, o brinquedo tradicional que virá com toda a força é o futebol de botão. ‘‘Fizemos um contrato com a Warner e a Fifa e este mês lançaremos os 12 principais times da Copa do Mundo’’, diz o gerente nacional de vendas da empresa, Paulo Benzatti. O clima de Copa aparece também no Futebol Clube, jogo em que os bonecos têm pernas articuladas para fazer jogadas.
  Benzatti acredita que este ano os brinquedos de futebol trarão R$ 2 milhões para a empresa, o que representaria 5% de seu faturamento de R$ 40 milhões. ‘‘Alguns brinquedos voltam a fazer sucesso quando os pais querem se divertir com os filhos. O futebol de botão é um caso, pois o adulto jogou na infância e terá o prazer ao ensinar ao filho.’’
  O produto mais clássico da empresa, no entanto, é o Forte Apache. ‘‘Este existe há mais de 40 anos e vende 15 mil unidades por ano, sem divulgação alguma’’, diz o gerente. ‘‘Quem compra são os adultos, que se lembram da infância e levam para os filhos, e isso se repete há várias gerações’’, afirma Benzatti

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