Brinquedos dos anos 80 voltam às prateleiras
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domingo, 26 de março de 2006
Ana Paula Lacerda<br>Agência Estado 
São Paulo - Em pleno ano de 2006, as lojas de brinquedos dão a sensação de terem voltado no tempo: lá estão a Moranguinho, as Fofoletes, o Autorama e até o Forte Apache. Brinquedos comuns na infância de muitos pais que agora os compram para seus filhos pequenos.
A viagem no tempo é confirmada pelos fabricantes. A cada 20 anos, mais ou menos, as crianças que um dia brincaram com esses brinquedos tornam-se jovens pais, explica Aires José Fernandes, diretor de Marketing da Estrela. É comum as empresas relançarem brinquedos com esse intervalo.
Ele diz, no entanto, que os brinquedos da década de 80 estão realmente em alta. Nos últimos meses, houve o reforço de uma onda anos 80 muito forte, que também se refletiu na música, nas festas e em algumas publicações. Os brinquedos passaram pela mesma coisa. A empresa relançou, recentemente, as bonecas Moranguinho e as Fofoletes. Para este ano, haverá um investimento grande em Ursinhos Carinhosos, a boneca Amiguinha e o Autorama.
Todos os anos lançamos cerca de 150 produtos e recebemos muitos pedidos de clientes para que relancemos algum brinquedo específico, diz. Do ponto de vista de empresa, também é muito mais fácil relançar um produto do que criar algo completamente novo. Mas claro que todos virão em versões atualizadas.
Moranguinho e sua turma trocaram os vestidos de babados dos anos 80 por calças jeans e cargo, e o Autorama vem com contador digital de voltas. Mas o brinquedo mantém o fascínio. O adulto o vê, lembra de sua infância e deseja que seu filho também tenha bons momentos.
Para este ano, a Estrela vai investir R$ 5 milhões em desenvolvimento de produtos e R$ 10 milhões em divulgação. Um relançamento exige tanto investimento quanto um brinquedo novo, explica Aires. Além dos brinquedos que voltaram, a Estrela reformulou graficamente jogos clássicos como o Jogo da Vida, Detetive, Cilada e Cara a Cara, que já estão nas lojas.
Seguindo a linha de produtos anos 80, a rede de supermercados Carrefour colocou ao lado das Moranguinhos e Ursinhos Carinhosos outro produto que já foi produzido por aqui nos anos 80, mas agora é importado: os Pequenos Pôneis. A empresa americana Hasbro, fabricante do brinquedo, transferiu toda a sua produção para a China e exporta para outros países.
Na Gulliver, o brinquedo tradicional que virá com toda a força é o futebol de botão. Fizemos um contrato com a Warner e a Fifa e este mês lançaremos os 12 principais times da Copa do Mundo, diz o gerente nacional de vendas da empresa, Paulo Benzatti. O clima de Copa aparece também no Futebol Clube, jogo em que os bonecos têm pernas articuladas para fazer jogadas.
Benzatti acredita que este ano os brinquedos de futebol trarão R$ 2 milhões para a empresa, o que representaria 5% de seu faturamento de R$ 40 milhões. Alguns brinquedos voltam a fazer sucesso quando os pais querem se divertir com os filhos. O futebol de botão é um caso, pois o adulto jogou na infância e terá o prazer ao ensinar ao filho.
O produto mais clássico da empresa, no entanto, é o Forte Apache. Este existe há mais de 40 anos e vende 15 mil unidades por ano, sem divulgação alguma, diz o gerente. Quem compra são os adultos, que se lembram da infância e levam para os filhos, e isso se repete há várias gerações, afirma Benzatti


