As vendas externas brasileiras de brinquedos tiveram um aumento de 200% nos últimos cinco anos. Dos US$ 8 milhões exportados pelas empresas do setor em 1996, houve um salto para US$ 24,1 milhões em 2001, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos (Abrinq). Pequenas e médias empresas de São Paulo já estão se mexendo para conseguir uma fatia desse mercado.
Dois consórcios, batizados de Toys Company e Afabrinq, que reúnem cerca de 29 marcas (nove no primeiro e cerca de 20 no segundo grupo), foram criados para que as empresas atuem juntas no mercado externo. São os únicos consórcios de pequenos empreeendimentos brasileiros reunidos com vistas ao mercado internacional de brinquedos, segundo informações da Agência de Promoção às Exportações (Apex).
Marketing - Segundo Eric Nobre, consultor da Global Conections -consultoria que presta serviços para os dois consórcios -, as empresas que vendem com a marca Toys Company estão começando a exportar este ano. ''As empresas já enviaram algumas amostras de brinquedos, principalmente a partir do início do segundo semestre do ano. Os mercados alvo são, por enquanto, os países da América do Sul e da América Central'', disse. Um país que demonstrou grande interesse nos brinquedos brasileiros foi a República Dominicana. As amostras foram enviadas pelo consórcio como parte de um trabalho de marketing.
''É preciso conhecer a cultura dos países para depois vender'', esclarece Nobre. Dessa forma, consultores de mercado viajam em missões comerciais e as empresas participam de feiras.
Neste ano, as empresas do consórcio participaram da feira Toys Fair 2002, a maior do setor, em Nova York.
O outro consórcio, denominado de Afabrinq, está ainda em processo de formação. O grupo reúne somente empresas de Laranjal Paulista, interior do Estado de São Paulo.
Competitividade - Segundo Charles Kapaz, diretor comercial da Elka Plásticos, empresa de médio porte do setor, os brinquedos brasileiros ficaram mais competitivos depois da desvalorização cambial, ocorrida no início de 1999. ''Não tínhamos como competir com a China, por exemplo, um forte concorrente. Mas, depois da desvalorização do real, o Brasil ganhou um pouco mais de competitividade e foi um dos motivos pelos quais o setor começou a projetar maior interesse pelo mercado externo'', explicou o diretor da Elka.
Kapaz acrescentou que, no caso da Elka, a empresa voltou a exportar com mais força a partir de 2000. ''Estamos aumentando as vendas externas em média de 20% ao ano'', acrescentou. Atualmente, os principais compradores dos brinquedos Elka são Angola, a Bolívia e o Paraguai.
Dados relativos ao movimento efetuado até julho demonstram que, somando as vendas de todas as empresas do setor, os principais países compradores dos brinquedos brasileiros foram EUA, México e Venezuela, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

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