Brindes são sinônimo de boas vendas
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sexta-feira, 01 de abril de 2005
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
''De graça, até injeção na testa.'' Quem nunca ouviu este ditado ou o utilizou como argumento para pegar um presentinho oferecido no supermercado? Pode ser chaveiro, caneta, garrafinha de água, pequenas amostras de alimentos, não importa. Campanhas com brindes são sempre um sucesso. Segundo dados da Agência Impacto Promoções, que atua em Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu, em alguns casos as vendas aumentam em mais de 100% quando uma demonstradora faz a abordagem do cliente para oferecer o produto. Se a abordagem vier acompanhada de degustação ou algum mimo, ainda melhor.
''É uma estratégia de marketing segura, sempre dá resultado'', afirma Marli Timóteo, uma das proprietárias da agência. Segundo ela, os investimentos das empresas neste tipo de promoção têm crescido a cada ano, e o universo de materiais utilizados pelas agências que concebem as promoções conta quase sempre com folhetos, cantoneiras para ser colocadas nas gôndolas, cartazes, apetrechos para a degustação (no caso de alimentos) e trajes para as demonstradoras.
Há seis anos no mercado, a sede da agência é uma prova do alto investimento das empresas. Pelo menos dois cômodos da casa estão tomados de caixas com materiais promocionais que sobraram ou foram utilizados em campanhas já encerradas. Ilan Emídio Soares, também sócio da agência, diz que mídias na TV e em veículos impressos de circulação nacional ficam muito caras, por isso as empresas têm dado preferência para promoções com sorteios de prêmios, degustação e distribuição de brindes. ''Sai mais barato e o retorno é imediato. 80% dos produtos vendidos em um supermercado são adquiridos pelos clientes por impulso'', garante.
De olho nos hábitos das famílias, as agências centram fogo nas ações de final de semana e feriados. Nos sábados e nos dias que antecedem as principais datas comemorativas, como Natal, Ano Novo e Páscoa, os corredores dos supermercados viram espaço disputado pelas demonstradoras. Um assédio que, de maneira geral, não parece irritar os consumidores. ''Hoje em dia ir ao supermercado no final de semana virou passeio para a família, e quem opta pelas grandes lojas vai com tempo para escolher, provar, conversar'', observa Soares.
Alguns consumidores entrevistados pela Folha comprovam a tese. O inspetor de qualidade Luciano Antonio de Araújo, ainda saboreando um pedaço de chocolate que lhe foi oferecido no supermercado, garante que sempre pára e conversa com as demonstradoras que o abordam. ''Acho que é uma questão de educação e respeito com o trabalho delas.'' Ele confessa que já foi influenciado pela oferta de determinados produtos. ''Quando a gente está meio indeciso na hora de comprar é mais fácil ser influenciado'', afirma.
O empacotador Carlos Henrique Buten e a cirurgiã dentista Adriana Moura também compartilham a opinião. Eles garantem que não se incomodam com a presença das promotoras de venda ao lado das gôndolas, e sempre aproveitam para experimentar o produto oferecido.
Para a psicóloga Lilian Flávia Tavares, o que favorece a estratégia criada pelas agências é a sensação que as pessoas têm de estarem sendo presenteadas. ''É uma forma de envolver o consumidor com o produto, criando condições para que depois ele o adquira.'' Segundo Lilian, a crise financeira também é favorável a este tipo de campanha. ''Pela difícil situação financeira, algumas pessoas quase não ganham presentes, então os brindes acabam funcionando como um agrado.''


