Uma briga por causa de rivalidades no futebol resultou na demissão de dois operários e na paralisação das atividades na unidade da Volkswagen em São Bernardo (ABC paulista). Em solidariedade aos demitidos, cerca de 3.000 funcionários da montadora decidiram ontem cruzar os braços.
A paralisação atingiu o setor de pintura da montadora, onde trabalham os dois operários, segundo informações de integrantes da comissão de fábrica. A montadora preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
‘‘Houve um desentendimento entre os trabalhadores e eles foram demitidos. Os dois funcionários têm cerca de 20 anos de casa. Por isso, houve uma reação às dispensas’’, disse Gérvison Marcos Melão, um dos integrantes da comissão de fábrica.
A reivindicação dos colegas de time e de trabalho é que os dois operários fossem readmitidos. O motivo da briga, de acordo com operários da Volks, foi a divergência no futebol – um dos demitidos é corintiano, e o outro, palmeirense.
A discussão ocorreu um dia após o Palmeiras ter perdido para o time chileno Universidad Católica, por 2 a 1, em jogo válido pela Copa Mercosul. Os funcionários do segundo turno do setor de pintura – que trabalham das 14h55 às 23h36 – continuam parados. No terceiro turno – das 22h12 às 6h –, será feita uma assembléia para definir a continuidade da greve.
Com a paralisação na ala 13, como é conhecido o setor de pintura, outras áreas da linha de produção foram atingidas – como a de armação, a de solda e a de montagem de veículos. Segundo a comissão de fábrica, cerca de 870 veículos deixariam de ser fabricados. Na unidade de São Bernardo são produzidos os modelos Gol, Santana, Saveiro e Kombi.
Na próxima segunda-feira, cerca de 8.000 dos 16,5 mil funcionários da Volks entram em férias coletivas. O período de descanso vai até o dia 8 do próximo mês. Segundo informações da montadora, o objetivo é adequar a produção ao mercado.

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