Depois de mais de uma década sem qualquer disputa, este ano a eleição do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval) segue com clima tenso. Há dois dias da votação (marcada para quarta-feira), os ânimos estão acirrados e, inclusive, já houve intervenção judicial. A chapa de oposição, liderada por Carlos Morillas Zapata, recorreu à Justiça do Trabalho para obter documentos que, segundo ele, a atual diretoria do sindicato se recusava a entregar. Já a situação, encabeçada pelo atual presidente Sinézio Scudeler, alega que os documentos não foram entregues porque foram pedidos antes da inscrição da chapa.
Justificativas à parte, o juiz do Trabalho Carlos Augusto Conte concedeu a liminar - favorável à oposição - determinando a entrega dos documentos por considerar que estaria evitando ''dano irreparável aos associados interessados no processo eleitoral''. A oposição alega que os papéis seriam necessários para análises relacionadas aos componentes das chapas inscritas no processo eleitoral. A partir desta liminar, o juiz alterou ainda o prazo para impugnação de candidaturas, determinando 48 horas contados a partir da exibição dos documentos.
O prazo de 48 horas imposto pela Justiça consta no estatuto da entidade, mas se fosse contado a partir do edital de publicação teria vencido no final da semana passada. A situação alega que essa ação foi impetrada com o intuito de ganhar tempo nas impugnações, o que é negado. Além da briga judicial, a troca de acusações é geral. Segundo os oposicionistas, pelo menos dois integrantes da chapa da situação estariam em situação irregular, sem exercer qualquer atividade varejista no Paraná há vários anos. Já a chapa da situação diz que um integrante da outra chapa também não exerce atividade comercial ligada ao Sincoval e que pertence ao sindicato das óticas.
Segundo a oposição, Valmir Rafael dos Santos, atual vice-presidente e inscrito como 2º vice-presidente, não está cadastrado na Receita Estadual. O órgão informa que a Vidraçaria Art Glass, que tem como atividade o comércio varejista de vidros, espelhos, vitrais e molduras, foi baixada em maio de 99. No entanto, conforme informações da Receita Federal a empresa está ativa em sua situação cadastral (CNPJ). Ainda de acordo com a oposição, o 2º tesoureiro do Sincoval, Lauro Lopes (inscrito na chapa da situação para o mesmo cargo), da MD Lopes & Cia (comércio varejista de artigos do vestuário e complementos) teve o cadastro de inscrição estadual cancelado em junho de 2004. Para a situação, a sua empresa está regular.
Já a atual diretoria alega que Marcos Cassa, inscrito como membro do conselho fiscal pela oposição, também está em situação irregular, mas no próprio Sincoval. Segundo a chapa da situação, a atividade comercial de Cassa seria ótica e relojoaria e que, por isso, pertenceria ao Sindicato dos Ópticos. Inclusive, as suas contribuições recolhidas em favor do Sincoval estariam à disposição da outra entidade. No entanto, a oposição diz que a atividade comercial de Cassa é relojoaria e joalheria e que, portanto, está enquadrado perfeitamente nos quadros associativos do Sincoval.

mockup