Briga entre as telefonicas alegra consumidor
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domingo, 01 de agosto de 2004
Renato Cruz<br>Agência Estado 
São Paulo - O telefone celular tornou-se, possivelmente, o produto mais quente do varejo. É o carro-chefe de campanhas de grandes redes. A força de expansão do mercado surpreende grandes consultorias e a própria Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A briga entre as operadoras de celular nunca esteve tão forte, e os consumidores já aprenderam a tirar vantagem disso. Ao fim de junho, havia 54 milhões de celulares em uso no País, um crescimento de 42% em 12 meses. O número de aparelhos por 100 habitantes chegou a 30,17.
O mercado não dá sinais de desaquecimento. Na visão da analista Juliana Abreu, da Pyramid Research, a expansão pode seguir forte por mais um ano e meio. ''A estratégia das operadoras vai mudar, para equilibrar a rentabilidade'', afirmou Juliana. Quem pisaria no freio seriam as próprias operadoras, e não o consumidor. Devido aos altos custos de aquisição de clientes, com consumo médio mensal por consumidor cada vez mais reduzido.
Tentar roubar o cliente da concorrente, ligando no próprio celular e oferecendo vantagens, tornou-se uma prática cada vez mais comum. Entre as ofertas feitas estão aparelhos grátis e planos mais baratos e com mais minutos. ''É uma dinâmica normal dos mercados de grande concorrência'', afirmou Luis Avelar, vice-presidente de Marketing e Inovação da Vivo. ''Estamos trabalhando sobretudo no contra-ataque e resistimos muito bem.'' No primeiro semestre, o custo de aquisição de clientes da Vivo era de R$ 125.
Há três meses, a assistente administrativa Janayna Moreira Benedicto trocou de operadora depois de receber uma ligação no celular. Na operadora em que estava, um plano de 100 minutos saía por pouco mais de R$ 100. ''Me ofereceram 100 minutos por R$ 69,90 e um celular de graça, com tecnologia GSM'', conta Janayna. O marido também trocou de operadora. Por praticamente o mesmo preço, passou de um plano de 100 minutos para 500 minutos.
Ela tentou barganhar com a operadora anterior, mas não conseguiu uma oferta satisfatória. ''Eles são um pouco burros, não aceitam nada.'' Mesmo assim, os celulares antigos não foram desligados. Um aparelho do casal, transformado em pré-pago, foi repassado para o irmão de Janayna. Outro, também convertido em pré-pago, passou a ser usado pela sogra da assistente administrativa. Este é um dos grandes segredos do crescimento forte do mercado: aparelhos antigos atendendo a novos clientes.
Já a estagiária Juliana Maranhão da Silva, de 20 anos, fez diferente: usou a oferta de um concorrente para conseguir uma oferta melhor de sua operadora. ''Tinha vencido o plano de fidelidade e liguei para eles, dizendo que estava entrado na loja do concorrente'', disse Juliana.
Depois de 30 minutos de conversa, ela conseguiu passar de um plano de R$ 40 por 30 minutos para outro de R$ 18 por 90 minutos. ''Minha conta não diminuiu, mas falo muito mais.'' Ela também recebeu um crédito de R$ 300 para trocar de aparelho. O aparelho antigo, passou para uma tia. Juliana mora com a mãe, a irmã e a tia. Todas com celulares.
O crescimento da telefonia celular tem superado previsões. O relatório Perspectivas para Ampliação e Modernização do Setor de Telecomunicações (Paste), divulgado pela Anatel em 2000, previa que o País chegaria ao fim do ano com 52,5 milhões de celulares, número ultrapassado em junho.


