Briga de postos pode terminar na CPI
Carmem Murara
De Curitiba
Está declarada a guerra no setor de combustíveis no Paraná. A distribuidora Galáctica, que trabalha com postos bandeira branca, decidiu reagir às acusações e insinuações de que estaria adulterando gasolina e sonegando imposto e partiu para a ação. O dono da empresa Ernani Moreno da Silva afirmou ontem que, até a próxima segunda-feira, entrará com um pedido de investigação no Ministério Público contra o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis. O sindicato reage e diz que Silva terá de se explicar na recém instalada CPI dos Combustíveis.
A briga entre os dois lados começou devido ao preço colocado na bomba de gasolina. Alguns postos, principalmente aqueles que trabalham com as pequenas distribuidoras, derrubaram os preços para R$ 1,09 até R$ 1,19. Os postos que trabalham com as seis grandes distribuidoras tentam manter os preços em torno de R$ 1,35, mas muitos foram obrigados a reduzir margens de lucro para não perder a clientela.
Enfurecidos com esta situação, os donos de postos reclamam. Na semana passada eles ameaçaram fechar os estabelecimentos comerciais em forma de protesto contra a situação. O presidente do Sindicombustíveis, Lourenço Fregonese, tem declarado que o problema está cada vez mais insustentável. O sindicato acusa alguns postos de prática desleal de comércio, além de sonegação e adulteração da gasolina com solventes. O preço cai quando sobra solvente no mercado, disse em tom de ironia.
Fregonese não fez acusações diretas à distribuidora Galáctica, mas o dono vestiu a carapuça e partiu para o contra-ataque. O Fregonese não quer concorrência. Ele não pode afirmar que Curitiba está regada a solvente, protestou Silva, que é candidato a vereador e foi candidato derrotado a deputado federal
O Sindicombustíveis acha estranho a maneira como a rede Galáctica atua na cidade. Segundo Fregonese, a distribuidora compra gasolina em Guaramirim (SC) e não na refinaria de Araucária, onde poderia economizar no frete. Mesmo assim consegue emplacar um produto mais barato que a concorrência. Ele tem de se explicar, pois o que vende é incompatível com a cota que tira na Petrobras, atacou Fregonese. Silva se defende: Não roubamos nem adulteramos combustível.
O empresário afirmou que sua distribuidora tem respaldo legal para não recolher o PIS e Cofins, ao contrário da maioria que tem de pagar os tributos. Isso dá uma diferença de 10 centavos no preço final, reclamou Fregonese. Silva rebate e diz que está dentro do direito constitucional.





