São Paulo - O dólar encerrou o dia ontem com leve alta, de 0,47%, vendido a R$ 3,17. A Bovespa teve queda de 2,87% e o risco-país subiu 2,8%. Segundo operadores, o Banco Central teria feito consultas ao mercado para vender dólar por pelo menos três vezes. A autoridade monetária, no entanto, não confirmou as operações. O dólar chegou a subir 3,5% durante o dia, atingindo R$ 3,25.
Neste ano, o BC já gastou aproximadamente US$ 2,6 bilhões em suas intervenções no mercado de câmbio. O valor não inclui as vendas feitas de sexta até anteontem, cujos valores ainda não foram oficialmente divulgados. Na quinta, primeiro dia de negócios após o fim das intervenções diárias de US$ 50 milhões, que eram feitas desde o mês passado, o BC vendeu cerca de US$ 150 milhões no mercado de câmbio. Operadores também afirmaram ontem que o governo teria comprado C-Bonds, títulos da dívida externa brasileira, aproveitando-se do baixo preço atingido pelo papel.
O C-Bond caiu 1,4%, desvalorização menor do que os 4,3% de anteontem. O risco-país também fechou com depreciação menor, mas encerrou a terça-feira bastante próximo à sua máxima histórica (2.390 pontos), registrada em 30 de julho deste ano. Com 2.284 pontos atingidos ontem, o risco brasileiro é o terceiro maior do mundo, atrás apenas da Argentina (7.008 pontos) e da Nigéria (3.197 pontos).
O mercado recebeu mal ontem o rebaixamento da classificação de risco brasileira pela agência Moody's, anunciado na noite de anteontem, que alegou ''crescentes pressões fiscais que podem se traduzir em riscos para o setor externo, especialmente porque a depreciação da moeda (do real) aumenta o encargo em dólar dos tomadores''.
Bolsa - Pelo terceiro pregão consecutivo, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa ontem. O Ibovespa, índice que reúne as 57 ações mais negociadas no mercado paulista, teve desvalorização de 2,87%. Desde sexta-feira, a Bolsa acumula queda de 8,4%. O volume negociado ontem foi de R$ 524,35 milhões. Um operador afirma que pode ser notado um fluxo de recursos internos para a Bolsa. Já o capital externo continua distante do mercado local.
O cenário externo teve, mais uma vez, influência sobre os negócios. O anúncio da decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), que optou por manter os juros dos Estados Unidos inalterados em 1,75%, decepcionou o mercado daquele país e, consequentemente, a Bovespa. Havia a expectativa por um corte de até meio ponto percentual nas taxas dos EUA. O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York caiu 2,38% e a Bolsa eletrônica Nasdaq teve perda de 2,87%.

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