Brics tentarão criar fundo compartilhado de reservas
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quarta-feira, 04 de setembro de 2013
Fernando Nakagawa<br>Agência Estado 
São Petesburgo - A criação do fundo de reservas internacionais do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul que deve ter US$ 100 bilhões - será um dos temas debatidos pela delegação brasileira durante a reunião dos Brics marcada para hoje. O encontro será antes da abertura oficial da reunião anual de cúpula das 20 maiores economias do mundo, o G-20. A criação do fundo é uma das iniciativas dos grandes emergentes à perspectiva de retirada dos estímulos monetários nos Estados Unidos, fato que preocupa os emergentes. A intenção é criar um colchão adicional de liquidez para que os países possam usar o dinheiro caso tenham dificuldade em conseguir crédito no mercado internacional.
Já há um modelo comparável a esse da operação de troca de moedas. Na crise de 2008, alguns países considerados "sistemicamente importantes" pelo governo dos Estados Unidos - inclusive o Brasil - foram alvo de operações temporárias desse tipo com o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Em março, Brasil e China assinaram um acordo de troca de moedas semelhante e que apenas reais e yuans. Nenhuma das duas linhas, porém, foi usada.
Na operação com os EUA, por exemplo, o BC brasileiro passou a contar com US$ 30 bilhões do Fed que poderiam ser resgatados em caso de necessidade. A contrapartida brasileira seria a entrega do equivalente aos mesmos US$ 30 bilhões em reais ao Fed.
A iniciativa de criação de um fundo de reservas compartilhado é uma das ações dos Brics para tentar se proteger à perspectiva de diminuição dos estímulos monetários nos EUA. Na reunião que começará hoje, líderes dos países emergentes tentarão pressionar as autoridades dos países ricos, em especial dos EUA, para que essa mudança na política monetária seja a mais organizada e previsível possível. O argumento é que surpresas no meio do caminho podem prejudicar, além do mercado financeiro, a economia real.
O impacto acontece, por exemplo, pela inflação que tende a subir em países que sofrem grande desvalorização. Nas últimas semanas, moedas do Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul amargaram grande queda na comparação com o dólar só com a perspectiva de que a política monetária pode mudar nos EUA. Isso poderia acontecer já em setembro, dizem analistas internacionais.


