Brics não avançam sobre impasse do comércio global
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Folhapress 
São Paulo - Ministros do Comércio das cinco nações do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul, que integra agora também o grupo) reunidos ontem não deram sinais de estar prontos para fazer concessões que rompam o impasse de décadas nas conversas sobre a liberalização do comércio global. A Rodada Doha de negociações, conduzida sob o respaldo da Organização Mundial do Comércio (OMC), fez poucos avanços após chegar à iminência de um acordo em 2008.
Entre as principais razões do fracasso na ocasião estiveram a recusa dos Estados Unidos e outros países ricos de reduzir ainda mais os subsídios agrícolas, e a rejeição das nações em desenvolvimento, lideradas pela Índia, a aumentar o acesso do Ocidente a seus mercados de bens e serviços. Reunindo-se na véspera de uma cúpula dos Brics na ilha chinesa de Hainan, os ministros do comércio de Brasil, Rússia, Índia, China e o novo membro África do Sul soaram pessimistas com as perspectivas das conversas.
''O delicado equilíbrio de trocas alcançado em mais de dez anos de negociações e contido no texto de esboço de julho de 2008 corre o risco de entrar em desordem'', comunicaram os ministros.
Líderes do G20, que inclui nações avançadas e economias em desenvolvimento, declararam em novembro haver uma janela de oportunidade curta em 2011 para finalizar a rodada. Uma série de membros-chave da OMC, incluindo os EUA e a França, tem eleições em 2012.
Os Estados Unidos disseram no mês passado que as grandes economias emergentes precisam adquirir a coragem política de abrir seus mercados. Mas, ao endossar o projeto de acordo de 2008, os Brics deram a entender que cabe ao Ocidente o ônus de ceder.
Cooperação
O Ministério do Comércio da China disse que o encontro também clamou por uma melhor coordenação global das políticas econômicas para blindar a recuperação mundial e alcançar um crescimento robusto e equilibrado. O poder econômico dos Brics está crescendo à medida que o mundo desenvolvido luta para abater suas dívidas, e os cinco países começam a operar como um bloco único no G20, fornecendo um contraponto aos Estados Unidos e outras potências tradicionais.
Os cinco Brics representaram pouco menos de 18% dos US$ 62 bilhões da economia global em 2010, embora o PIB da China tenha sido maior do que os outros quatro membros somados.
Como parte do esforço para fortalecer o comércio e o investimento entre si, os líderes devem assinar hoje um acordo para ampliar as linhas de crédito mútuas não mais em dólares, mas nas moedas locais dos Brics, de acordo com relatos da mídia indiana.
''Para o crescimento e o desenvolvimento futuros, os países Brics precisam fortalecer o comércio entre si'', afirmou Lin Yueqin, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim.


