Brechó, onde o chique tem vez
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de outubro de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Viu que bacana meu casaco novo? Custou R$ 20,00.'' Faz tempo que pagar caro por alguma roupa, sapato ou acessório deixou de ser sinônimo de chique. Hoje, moda mesmo é saber comprar, ou seja, pagar barato por um produto bom. Nas lojas de roupas usadas, os chamados brechós, esta não é uma tarefa difícil. Com dicas sobre as lojas mais interessantes, um pouco de paciência e curiosidade bastante para vasculhar as araras repletas de todo tipo de roupa, não há não quem consiga sair de um brechó com pelo menos uma sacolinha.
No centro de Curitiba, nas proximidades do Centro Cívico, fica a região de maior concentração dos brechós da Capital. A maioria já se descaracterizou de sua proposta original de vender apenas produtos usados e passou a trabalhar também com roupas novas. Nesse caso, tratam-se, em sua maioria, de peças trazidas de São Paulo, de marcas pouco conhecidas, mas que seguem a tendência da moda no estilo surfista e skatista, voltada aos adolescentes.
Lucia Santini, que mantém, há oito ano, o ''Brechó Fashions'', na Rua Mateus Leme, diz que ''acho que isso descaracteriza a proposta dos brechós''. Mesmo assim, já se rendeu à mudança e tem 10% de peças novas. A loja de Lucia, no entanto, é a que mais segue a definição moderna de brechó, voltada à classe média. Para isso, ela procura ter peças de qualidade, de marcas conhecidas e a preços bem abaixo das lojas de produtos novos.
''O que falta mesmo em Curitiba era um brechó especializado em roupas dos anos 60 e 70'', diz a comerciante. Para ela, se alguém se especializasse no assunto e abrisse uma loja só com produtos dessa época teria movimento constante. O único problema seria conseguir fornecedores suficientes para atender a demanda. ''Acho que é um estilo que se perdeu, mas muita gente procura por roupas daquela época, como camisas estampadas e justas, de gola grande, calça boca sino'', diz.
Na mesma rua, Cleberson Ferreira, de 22 anos, um dos donos da Brechó 1001, também conta que a procura pelas roupas de modelo anos 60 é grande. ''O problema é que ninguém vem vender esse tipo de roupa'', conta. Ele e o pai, Walter Ferreira, 52 anos, mantém dois brechós. Ao contrário de Lucia que tem um filão de clientes mais ligado em moda alternativa , as lojas da família Ferreira vende mais ternos masculinos e roupas sociais.
Conseguir mercadorias também não tem segredo. Aliás, com as dificuldades financeiras, cada vez aparecem mais pessoas nas lojas querendo vender roupas usadas. ''Vem de tudo. Tem gente que não quer mais a roupa, outro que precisa de dinheiro, outros ainda que vendem porque engordaram ou emagreceram. Tem até o caso de um homem que veio a semana passada e vendeu 30 ternos, todos do mesmo tamanho e novos, que eram de um neto que tinha morrido'', conta Cleberson.


