Curitiba - Comprar roupas em brechós não é mais tabu para os adultos. Ao contrário, saber comprar roupas usadas, hoje, além de significar economia para o bolso, passou a ser sinônimo de uma roupa diferente, com ares entre o fashion e o retrô atualizado. Três lojas de Curitiba e Londrina tentam, agora, estender esse conceito para um novo ramo, o brechó infantil. Para isso, longe do espírito de resgate da moda que impregna os brechós de adultos, o segredo nesse caso é buscar o máximo de confiabilidade e atualidade nas peças.
O novo negócio parece promissor. Em São Paulo várias lojas do ramo já estão estabelecidas há mais de um ano. No Paraná, a Brechozinho, em Londrina, abriu suas portas em dezembro do ano passado, o negócio está dando tão certo que as proprietárias já cogitam a possibilidade de abrir uma filial.
Em Curitiba, o negócio ainda engatinha. A Remexe surgiu no início de julho, mas já há propagandas pela cidade anunciando a inauguração, dia 28 deste mês, de outra loja do ramo, a Vestitini Piccolini. Já o Brechó Treco do Bebê, aberto há quatro meses, vende utensílios como berço, cadeira para carro, carrinho, moisés e andador a preços pelo menos 50% menores do que em lojas de primeira mão.
O aparecimento desse novo mercado no Paraná tem dois pontos em comum: as proprietárias são todas mulheres com filhos ou netos pequenos, e que sabem, portanto, quanto é trabalhosa e dispendiosa a tarefa de manter o guarda-roupa da criançada em dia. Primeiro, porque elas crescem muito rápido, e perdem muita roupa com pouquíssimo ou até mesmo nenhum uso. Em segundo lugar vêm os preços, quase sempre desproporcionais ao tamanho das roupas.
''A inauguração da minha loja eu fiz basicamente com as roupas de meus filhos e de uma sobrinha. Eu tinha roupas novas, que ainda tinham etiquetas das lojas, mas não foram usadas porque ficaram pequenas'', conta Janaína Silveira, proprietária da Brechozinho, e mãe de dois filhos, de 8 e 5 anos de idade. A publicitária Margareth de Mari Merlo, da Remexe, e mãe de duas meninas, de 3 e 1 ano e 5 meses, também conta que a idéia nasceu de conversas com amigas, que não sabiam o que fazer com as roupas das crianças, e reclamavam da dificuldade de encontrar peças diferentes com preços acessíveis.
O desafio de abrir uma loja com esse conceito, tanto em Londrina como em Curitiba, estava em romper com o preconceito, já que muitas pessoas resistem à idéia de comprar uma roupa usada para seus filhos. O segredo para conquistar a confiança da clientela, de acordo com as duas, é fazer uma seleção rigorosa na hora da compra de roupas usadas. Depois, toda roupa comprada vai para a máquina de lavar.
Além do brechó, Margareth decidiu atuar também como ponta de estoque. Em viagens a São Paulo ela compra peças de marcas famosas, cujas coleções passadas são adquiridas direto nas fábricas e em outlets em São Paulo, a um custo bem menor. A Brechozinho também está lançando coleção própria, que promete trazer roupas novas a preços bem acessíveis.

*Serviço
Brechó Remexe - Shopping Cristo Rei, à rua Padre Germano Mayer, 679, loja 10, telefone: (0xx41) 3015-6557, em Curitiba/Brechozinho - rua Jorge Velho, 190, telefone (0xx43) 3344-2345, em Londrina/Brechó Treco do Bebê - rua Dr. Roberto Barrozo, 1.917, Mercês, telefone (0xx41) 336-6611, em Curitiba.

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