Brechó é opção, se o dinheiro estiver curto
De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma pessoa gasta, em média, 6% do orçamento com roupas e calçados. ''O vestuário não é um item essencial e depende basicamente da renda do trabalhador que ainda está em recuperação'', disse Cid Cordeiro economista e técnico do Dieese.
Em 2003, o poder aquisitivo do brasileiro caiu, em média, 6% e a expectativa de Cordeiro é que, até o final deste ano, ele supere a inflação em 1% ou 2%. ''Acredito que a inflação permanecerá em 6% mesmo'', concluiu.
Nos últimos 12 meses, o Índice de Preços no Atacado (IPA) que mede os custos industriais cresceu, em média, 5%. Por isso, Cordeiro não entende a correção de 20% no preço das confecções. ''Talvez o período avaliado pelo Sivepar seja outro ou, quem sabe, os insumos utilizados pelo setor tenham custado mais que a média'', supôs o economista. ''O fato é que se os preços do vestuário superarem a inflação e a renda do trabalhador, com certeza, ficará encalhado nas prateleiras.
Uma opção cada vez mais procurada são os brechós. Com roupas, calçados e acessórios em bom estado e com preços muito baixos eles atraem consumidores de diferentes idades e classes sociais. Na loja de Maeve Christina Mendonça o movimento começou a crescer a partir da segunda quinzena de abril. As araras instaladas na sala do próprio apartamento expõem produtos que custam até 70% menos que nas butiques. ''No momento, as pessoas estão procurando, principalmente, blusas de lã e gastam, no mínimo, R$ 20,00 em cada compra'', completou Maeve.
No brechó de Solange Peçanha Gobbi os maiores clientes são comerciantes de Rolândia, Apucarana e Arapongas. Para as ''sacoleiras'' Solange faz um desconto de 50% porque elas levam muitas peças. As estudantes Daiane Enz e Daniele Oliveira procuravam, ontem, calças e blusas de inverno. Na opinião de Daiane que aprendeu a frequentar brechós com a mãe o preconceito em relação às roupas usadas diminuiu muito em favor da economia. ''Além do preço é possível encontrar peças de estilos diferentes que sumiram das vitrines há muito tempo'', argumentou a estudante.





