Cerca de 800 trabalhadores da Multibrás, que produz eletrodomésticos da marca Brastemp, Cônsul e Sêmer, reunidos em assembléia na manhã de hoje na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, decidiram exigir que a empresa suspenda a decisão anunciada ontem de, em seis meses, fechar a unidade de São Bernardo, dispensando os 1,1 mil metalúrgicos.
Os trabalhadores marcaram uma passeata para segunda-feira, a partir das 8 horas, data programada pela empresa para a retomada da produção na fábrica, que está paralisada desde ontem por decisão da diretoria. A companhia pretende unificar todas suas operações na unidade de Joinville (SC).
O presidente do Sindicato, Luiz Marinho, admitiu que ‘‘será difícil reverter a decisão da empresa’’, mas a obrigação dos trabalhadores é tentar abrir uma negociação pela permanência da fábrica em São Bernardo. Marinho intenciona também mobilizar os governos estadual e municipal para pressionar o grupo norte-americano Whirlpool Corporation, controlador da Brastemp.
Agora o governo estuda a possibilidade de liberar a Multibrás do pagamento de impostos para que a companhia não feche sua fábrica. ‘‘O governo reagiu à decisão e não está descartada a possibilidade de redução de algum imposto’’, diz Luiz Marinho, que conversou com José Aníbal, secretário estadual de Ciência e Tecnologia.
Neste momento, a redução no ICMS é uma das questões que está sendo discutida pelo governo para segurar a fábrica. A empresa paga 18% de ICMS, além de ISS e IPI. O problema é que, mesmo que seja feita essa proposta pelo governo, as chances de êxito são pequenas, dizem os sindicalistas.
A decisão de fechar a fábrica foi tomada pela Whirlpool, a matriz norte-americana, e não tem relação direta com a necessidade de reduzir impostos. O grupo quer fechar a fábrica porque opera com capacidade ociosa de 40%.

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