Brasileiros vão testar 'cerveja PET'
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domingo, 27 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Os grandes fabricantes mundiais de cerveja acreditam que a opinião dos brasileiros sobre o produto em garrafas plásticas será decisiva como teste piloto de aprovação dessas embalagens no resto do planeta. A afirmação é do diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, Luis Fernando Ceribelli Madi.
Esse passo em direção à nova embalagem para cerveja, porém, é ensaiado há cerca de seis anos e ainda gera muitas dúvidas. A cerveja Muller, primeira a entrar no PET (plástico com barreira para bebidas bicarbonatadas como refrigerante e fermentados) e se mostrar no mercado dos Estados Unidos, saiu rapidamente de cena, por falta de aceitação do público. E, na Europa, ainda não há experiência de sucesso.
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens PET (Abepet), Alfredo Sette, afirmou que a cerveja poderá representar nova e grande demanda para o PET, mas o fenômeno não será imediato. Ele não soube dimensionar em quanto o mercado para a resina termoplástica poderá crescer em função da nova aplicação.
Já o diretor da empresa de pesquisas Datamark, Graham Wallis, estima que, até 2005, o consumo anual de cerveja em garrafas pequenas (350 mililitros) de PET chegará aos 300 bilhões de unidades, em todo o mundo. No Brasil, a Rhodia-Ster aposta na aceitação da bebida em PET, e planeja ampliar a produção do plástico, com nova unidade em Pernambuco a empresa possui uma em Poços de Caldas, MG, com capacidade para 180 mil t/ano.
O PET, porém, não disputa sozinho o novo filão, cujo principal impasse é a busca de um material com barreira ao gás carbônico que não migre para o líquido engarrafado. A Dow Química lançou nos Estados Unidos, no final do ano passado, uma resina epóxi termoplástica eficiente como barreira ao gás, e que deve ser usada como revestimento externo da embalagem PET.
O executivo da divisão de Produtos Epóxi e Intermediários da Dow, Nelson Diniz, observa que o material reveste internamente as latas de alumínio para cerveja, e por isso está aprovado quanto à não migração residual.
Segundo ele, o revestimento é necessário nas latas porque o alumínio pode oxidar os bicarbonatados se fossem de aço, dispensariam tal proteção. Os Estados Unidos consomem 100 bilhões de latas por ano, enquanto no Brasil a demanda está entre 8 bilhões e 9 bilhões.
Nelson Diniz afirma que até agora não houve ação formal para a introdução do termoplático epóxi na América Latina, mas a Dow acompanha as tendências do mercado brasileiro e a Tetrapack, no País, já testou o material em protótipos de PET para cerveja.
Caso a escolha recaia nesse tipo de embalagem, disse ele, a unidade da resina em Free Port, no Texas, tem capacidade instalada versátil para atender a baixas, médias e altas demandas. As perspectivas são extremamente otimistas, se a cerveja embalada em plástico for aceita pelo consumidor, considera o engenheiro químico da Dow.
A Dow dispõe de uma equipe de negócios para atender aos transformadores brasileiros interessados em desenvolver e testar novas embalagens para cerveja com o uso do epóxi. Ele garante que as embalagens de PET vão entrar no varejo brasileiro, buscando seu nicho de mercado. Como no caso das latas, cuja aceitação foi lenta, mas hoje é um mercado grande e em expansão.
Diniz observa que, nos mercados latino-americanos, o que pesa muito na compra do produto é o preço ele não quis informar o preço da tonelada da resina epóxi. A depender desse fator, o plástico perde terreno.
O Brasil pode ter todas as tecnologias desenvolvidas no exterior. O problema é quem vai pagar por isso, pois aplicá-las ou não é questão de preço, diz a gerente de embalagens plásticas e meio ambiente do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), Eloísa Garcia.
Exemplo disso é a mistura das resinas PET (50%) e PEN (50%), melhor solução em barreira ao gás carbônico. O problema é que o PEN custa cinco vezes mais do que o PET. Eloísa Garcia não soube calcular quanto representaria esse tipo de embalagem no custo final do produto.


