Brasileiros vão à China em busca de pechinchas
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sábado, 05 de maio de 2007
Ricardo Grinbaum<br>Agência Estado 
Xangai - As grandes indústrias brasileiras podem hesitar em ir para a China, mas os pequenos importadores não têm mais dúvidas. Donos de lojas de roupas, brinquedos, artigos de decoração, autopeças, pneus e todo tipo de mercadoria que caiba em um contêiner estão correndo para o país à caça de pechinchas.
A busca pelos produtos baratos é uma aventura e um sacrifício. No final de abril, a dona de uma rede de lojas de pneus do Rio Grande do Sul, Nilva Maria Bellenzier, encarou mais de 30 horas de viagem, incluindo vôos em classe econômica, de Porto Alegre a Xangai, passando por São Paulo e Chicago, para abrir uma nova frente de negócios. Nilva fez parte de um grupo de 36 pequenos empresários gaúchos que embarcou em excursão para a Feira de Cantão. Cada um pagou US$ 12 mil a uma empresa especializada em levar brasileiros para fazer negócios com empresas chinesas.
A Feira de Cantão é um gigantesco evento, com 560 mil metros quadrados e 26 mil estandes, que movimenta bilhões de dólares. É ali que os importadores podem conhecer fabricantes de todo tipo de produtos chineses, trocar cartões, marcar visitas às fábricas e fazer encomendas. Pelas contas da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, cerca de 900 brasileiros participaram da última edição da feira.
Nilva, dona da Bellenzier Pneus, passou dias percorrendo os estandes do pavilhão de produtos químicos, onde estavam as fábricas de pneus e de câmaras. ''Eu nunca tinha visto tanta empresa junta'', diz Nilva. ''E o cheiro de produtos químicos era muito forte.'' Revendedora de pneus Goodyear, ela foi atraída pelo nome de uma fabricante chinesa, a Good Tyre, escondida em um estande de quatro metros quadrados, que dividia com outra empresa. Com a ajuda de uma tradutora, ela combinou uma visita à fábrica, em Xangai.
Os chineses mandaram uma limusine pegá-la no hotel, receberam-na com placa na entrada da empresa e ofereceram um banquete com mais de dez pratos. A fábrica a impressionou. ''É enorme, as máquinas são boas, mas as condições de trabalho ainda precisam evoluir. O ambiente é mal iluminado, vi muita gente de chinelo e sem equipamento de segurança'', diz Nilva. ''Mas eles têm tanta gente que podem se dar ao luxo de inflar uma a uma as câmaras de pneu para ver se tem algum defeito.''
A viagem compensou: o preço das câmaras de pneus na Good Tyre é metade do cobrado no Brasil. Sua primeira encomenda já está praticamente decidida. Ela quer trazer um contêiner com 30 mil peças. Antes da visita à China, suas dez lojas vendiam 6 mil pneus por ano, a maioria sem câmara. ''Vou abrir uma nova frente de negócios, vou virar também distribuidora de câmaras de pneus e importar pneus de motos.''
Nilva não foi a única a fechar negócio. No grupo de gaúchos que foi à Feira de Cantão havia dono de loja de produtos de R$ 1,99, peças de bicicletas, autopeças e equipamentos de informática. O dono de uma loja de roupas encomendou um contêiner com 15 mil calças jeans por US$ 10 mil. No Brasil, custariam o dobro. Ele diz que mesmo com o recente aumento de tarifas de importação de têxteis pelo governo ainda vale a pena trazer produtos da China.
A caça às pechinchas chinesas têm um risco. ''Algumas pessoas pagam adiantado e quando abrem o contêiner no Brasil encontram produtos de qualidade inferior'', diz Beatriz Vauthier, da Best Modal, empresa de comércio exterior.


