Brasileiros usam excedentes para pagar dívidas
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Mesmo sem acreditar que a recessão econômica europeia está atingindo o País, os brasileiros resolveram reduzir suas despesas em relação ao ano passado. É o que aponta um levantamento realizado pela Nielsen Brasil acerca da ''Confiança e Intenções de Gastos do Consumidor''. Dos mais de 3,5 mil entrevistados no segundo trimestre de 2012, 72% concordam que estão economizando em suas despesas do dia a dia, principalmente diminuindo os gastos com entretenimento fora do lar (48%), vestuário (47%) e comprando alimentos mais baratos (45%). Por fim, a empresa constata uma queda no índice de confiança do consumidor de 110 para 106 pontos no comparativo dos dois primeiros trimestres deste ano.
De todos que responderam a pesquisa, 67% acreditam que o País não está passando por uma recessão econômica. Porém, a preocupação em quitar dívidas vem na frente de muitos objetos de consumo. Sanar problemas com cartões de crédito e abater empréstimos foi um dos itens que mais evoluíram entre os trimestres, de 34% para 37% dos entrevistados: alta de 8%. Muitos, inclusive, concluíram que mesmo se ocorrer uma melhoria no padrão de vida, irão continuar com algumas medidas como reduzir as refeições fora do lar (18%), diminuir despesas telefônicas (13%) e até o consumo de bebidas alcoólicas (9%) e tabaco (8%).
Para o consultor de finanças pessoais e empresariais, Charles Vezozzo, os resultados da pesquisa da Nielsen são importantes. Ele explica que a cultura do brasileiro ainda é de não poupar, mas já está caminhando para uma mudança. ''A questão não é apenas economizar para fazer uma viagem ou comprar um bem material que deseja. E sim fazer uma reserva para momentos de emergência.''
Vezozzo salienta que o aumento de 8% no número de pessoas que buscam quitar suas dívidas é prova de que o consumidor sabe o valor de estar livre delas. O consultor salienta a importância de utilizar os excedentes para quitar contas, principalmente as de juros mais elevados. ''O brasileiro tem boa índole, mas muitas vezes se endivida porque não faz contas e se enrola com os altos juros. De forma geral todos estão mais conscientes quando recebem uma oferta de crédito, estão estabelecendo prioridades.''
De qualquer forma, o consultor ressalta que os consumidores devem tomar cuidado com algumas instituições financeiras que nos últimos meses diminuíram consideravelmente suas taxas de juros, inclusive para empréstimos de pessoa física. ''O planejamento financeiro é muito importante. Você só entra no banco e acaba assumindo uma dívida que não terá condições de quitar se não fizer as contas necessárias'', complementa ele.



