Brasileiros usam crédito para compras imediatas
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
A maioria dos brasileiros usa o crédito para fazer compras imediatistas. Esta é a conclusão de pesquisas realizadas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira Meu Bolso Feliz. Produtos de valor mais baixo e de consumo de curto prazo como roupas, sapatos, eletrônicos e eletrodomésticos são adquiridos por meio do crédito, o que não é recomendado por alguns especialistas.
A pesquisa considera que muitos dos itens adquiridos pelo brasileiro por crédito são supérfluos, e que não deveriam ser comprados desta forma. O cartão de crédito é a modalidade mais utilizada pelos consumidores, seguido do empréstimo e do crediário. O perigo mora nas altas taxas de juros praticadas nas modalidades de crédito, o que faz com que pagar essas compras depois se torne mais difícil.
Tanto é que, dentre os entrevistados que têm conta corrente em banco, 40% entraram no cheque especial ao menos uma vez no ano anterior à entrevista. Dentre os que possuem cartão de crédito, a mesma porcentagem já pagou apenas o mínimo da fatura no último ano. Além disso, do total de entrevistados, um terço respondeu que tem o nome registrado em algum serviço de proteção ao crédito. O valor médio da dívida, entre os inadimplentes, chega a R$ 4 mil, valor duas a três vezes maior que a renda familiar.
Para o educador financeiro José Vignoli, do Meu Bolso Feliz, o fato de os brasileiros usarem o crédito para adquirir produtos e serviços de valor mais baixo e de consumo imediato mostra um consumidor ansioso, que não se permite aguardar pelo próximo mês para fazer uma compra quando o dinheiro do mês já acabou. "Pega o crédito que for para resolver a ansiedade de comprar sapatos, eletrônicos, etc, coisas que poderia programar para comprar à vista."
O problema, segundo Vignoli, é que ao utilizar o crédito, o consumidor paga juros. "Em algum momento, a conta estoura. É uma conta crescente que cada vez mais fica difícil de cobrir."
Na visão do educador financeiro, se utilizado com consciência, o crédito pode ser uma coisa boa, mas principalmente para produtos e serviços de "maior valor e maior significado", como uma casa ou um carro. As compras menores, conforme Vignoli, devem ser feitas à vista e no dinheiro, principalmente nos casos em que o comerciante oferece descontos para pagamentos desta forma. O cartão, entretanto, também pode ser utilizado e trazer vantagens, uma vez que muitas das empresas de cartão oferecem programas de pontos e promoções. É preciso apenas lembrar de usar o cartão de crédito "a seu favor", e não contra, sobretudo quando usar a opção de parcelamento, complementa o educador.
Para o economista Daniel Poit, professor da Universidade Estácio e da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) e das Faculdades das Indústrias, do Sistema Fiep, não há nada de errado em usar o crédito para compras pequenas, pois um dos motivos que levam o consumidor a usar o crédito para as compras está no fato de o nível da renda do brasileiro ser muito baixa. Os programas de pontuações e milhagens também estimulam o consumidor a usar essa forma de pagamento.
O problema está em comprar mais do que se deve e não conseguir pagar a dívida depois. "O risco envolvido é que o crédito leva as pessoas a pensarem que não estão gastando. O crédito não é um problema, desde que se use com responsabilidade. Para o consumidor, é importante tomar cuidado com as situações e evitar decisões emocionais, a famosa compra por impulso", conclui o economista.



