Brasília - O estoque de investimentos estrangeiros diretos no Brasil cresceu 147% entre 1995 e 2000, passando de US$ 41,695 bilhões para US$ 103,014 bilhões. Não foi só o interesse de estrangeiros pelo País que cresceu. Os brasileiros também estão efetuando mais negócios no exterior. Pela primeira vez, o BC conseguiu mapear também o total de investimentos realizados por empresas e residentes no Brasil lá fora, que somam US$ 69,657 bilhões.
Esse valor corresponde ao total de ativos que empresas brasileiras e brasileiros possuíam no exterior no fim do ano passado. O levantamento, feito em maio, considerou apenas as aplicações acima de US$ 200 mil. O BC não separou os investimentos entre pessoas físicas e jurídicas, mas no fim de maio um levantamento prévio apontava que as pessoas físicas possuíam US$ 12 bilhões em outros países.
A participação direta em empresas responde pela maior parte do capital brasileiro no exterior: US$ 50,745 bilhões, contra US$ 7,104 bilhões de empréstimos entre matrizes e filiais. Outros US$ 5,163 bilhões são investimentos em carteira, com destaque para aplicações em ações e títulos de renda fixa - US$ 2,517 bilhões e US$ 837 milhões respectivamente.
Já o valor de recursos externos aplicados no País foi apurado pelo segundo censo de capital estrangeiro feito pelo Banco Central e se refere às participações diretas de grupos estrangeiros em empresas brasileiras. Não estão incluídos aí os empréstimos feitos pelas matrizes às suas filiais no País.
Os investimentos estrangeiros no Brasil estão concentrados no setor de serviços, com 64% do total. A indústria responde por 33,7% e a agricultura, pecuária e extração mineral ficam com os 2,3% restantes.
A grande maioria dos recursos que ingressaram no País foi direcionada para a região Sudeste (86,7%). Em seguida, vêm o Sul do País, com 7,3%, e o Nordeste, com 3,1%. As regiões Norte e Centro-Oeste receberam apenas um pouco mais de 1%: 1,5% e 1,3% respectivamente.
A Espanha se destacou como o segundo país em volume de investimentos no Brasil, perdendo apenas para os Estados Unidos, que continuou na liderança registrada desde 1995, apesar da queda de 26% para 23,8% do total de investimentos registrados. No primeiro ano do censo, os investimentos espanhóis no País não chegavam a 0,6%. No fim de 2000, totalizaram 11,9%.
O censo foi realizado com base na declaração de 11,404 mil empresas, mais do que o dobro do total do levantamento de 1995.

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