As decisões estão presentes na vida do ser humano a todo instante: fechar ou não a torneira, apagar a luz ou deixá-la acesa, usar o carro próprio ou tomar um ônibus, comprar um determinado produto de uma certa marca ou um outro similar mais barato. E mesmo essas atitudes mais simples do dia-a-dia estão embutidas na consciência e levam em conta a condição financeira, hábitos saudáveis e bem-estar pessoal.
A compra de um produto produzido corretamente, dentro dos preceitos da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável, gera um retorno positivo porque toda uma cadeia de produção está sendo beneficiada, desde o meio-ambiente aos trabalhadores envolvidos.
É justamente o contrário do que ocorre quando o consumidor compra uma mercadoria roubada ou falsificada. ''Nesse caso a pessoa está comprando tudo de ruim que vem junto com a mercadoria como a corrupção, sonegação de impostos e a marginalidade. E mesmo mais para frente a pessoa vai sentir os efeitos disso porque ela ajudou a colocar uma arma da mão de um bandido, por exemplo'', avalia Aron Belinky, gerente de Projetos Especiais do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. A boa notícia é que os consumidores estão mais conscientes. Segundo um levantamento da entidade, os brasileiros estão muito interessados em conhecer as atividades de responsabilidade social das empresas.
O Brasil obteve uma das maiores médias do mundo no nível de exigência dos consumidores comparada, inclusive, aos índices obtidos por países europeus sempre um dos mais conscientes do mundo. O levantamento foi realizado em 2004 pela Akatu em parceria com o Instituto Ethos. Cerca de 80% dos entrevistados são exigentes quanto às responsabilidades operacionais das empresas como a qualidade de seus produtos e a relação com seus funcionários; 60% também exige o desenvolvimento de ações de cidadania. Mas se o nível de consciência é alto, por enquanto, esse fator não reflete diretamente em consumo: apenas 14% das pessoas disseram que já deixaram de comprar um produto de uma determinada empresa como forma de puní-la. Ao contrário, 17% afirmaram que já adquiriram uma mercadoria como forma de premiar uma empresa.
O porcentual de ''punição de uma empresa'' é bem menor do que a média mundial. Nesse quesito, os países mais desenvolvidos estão na primeira faixa com índices de variam de 31% a 43%. Já a população dos países em desenvolvimento têm médias inferiores a 23%. ''O consumo consciente tem muito espaço para crescer no Brasil. Os consumidores costumam mais premiar do que punir uma empresa'', salienta Belinky.
Movimento - Uma prova de que os consumidores estão mais conscientes é o aumento da procura pelos produtos reciclados fabricados pelo Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece). Segundo a coordenadora do curso profissionalizante da instituição, Vera Lúcia de Mello, nos últimos dois anos a procura por papel reciclado chegou a dobrar. ''Antes tínhamos estoque, hoje contamos apenas com uma amostragem, mas não conseguimos armazenar mais'', observa. Com o papel reciclado, o Ilece fabrica caixas para embalagens, convites para festas e cartões de Natal. Além disso, os alunos confeccionam sacolas - feitas com papel kraft e marmorizado -, rodinhos para limpeza e estopinhas (usadas na limpeza).
O programa foi criado para atender as necessidades dos alunos, principalmente, dos que contam com uma dificuldade maior. A atividade ajuda no desenvolvimento da coordenação motora e na melhora da auto-estima. Hoje, as vendas dos produtos contribui com uma parcela significativa do orçamento da instituição.

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