O encarecimento do crédito na hora de realizar financiamentos está fazendo com que mais brasileiros recorram ao sistema de consórcios para a aquisição de imóveis, veículos e até serviços. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) apontam que o volume de negócios gerados pelo sistema cresceu 36,8%, no País, no primeiro trimestre deste ano em comparação a 2010. São 4,25 milhões de pessoas que estão movimentando cerca de R$ 18,2 bilhões, sendo que só em 2011 mais de 260 mil consorciados já foram contemplados.
As cotas de veículos leves - que incluem automóveis, utilitários e camionetas - bateram recorde histórico no setor. No acumulado dos três primeiros meses, foram vendidas 198,8 mil cotas, 54,3% mais que no ano passado. Somando todos os segmentos, foram negociadas 619,1 mil novas cotas, um aumento de 25,9% frente a 2010. Além do encarecimento do crédito, o presidente da Abac, Paulo Roberto Rossi, destaca a estabilidade econômica no País e a ascensão da classe C como fatores fundamentais para os bons resultados. ''A população está estável nos seus empregos e pode também realizar um planejamento financeiro através do sistema de consórcio que a poupança não oferece''.
Rossi faz um comparativo entre 2006 e 2010 para mostrar a força deste mercado. O volume de negócios nestes quatro anos cresceu 158% para carros e 153% para motos. Os participantes de veículos automotores já ultrapassaram os 3,5 milhões e, para aquisição de motocicletas, os 2,1 milhões. ''O nordeste, por exemplo, é a região onde mais cresce o número de cotas para consórcio de motos. Infelizmente não fazemos a pesquisa de forma regionalizada, mas podemos dizer que estes números valem para todo o País'', contextualiza o presidente da Abac.
Outro destaque da pesquisa é o aumento na procura dos consórcios de serviços. Os participantes saltaram de 4 mil para 8,25 mil em um ano e a venda das cotas cresceu mais de 142% no mesmo período. Além disso, segundo a assessoria econômica da Abac, as faixas de crédito neste segmento variam entre R$ 1,25 mil e R$ 38 mil.
Londrina
Como não há dados regionalizados sobre o setor, a FOLHA conversou com a vendedora de consórcios Meiryane Ozetto, do Consórcio União, sobre a venda de cotas em Londrina. Ela explica que a procura pelo consórcio de imóveis é grande no município. ''Aumentou a venda das cotas e também o valor delas, que ficavam entre R$ 60 mil e R$ 120 mil e agora variam de R$ 120 mil a R$ 180 mil. Outro tipo que está sendo bastante procurado é o de serviços, na faixa de R$ 5 mil a R$ 12 mil'', completa.

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