Brasileiros já pagaram R$ 900 bilhões em impostos este ano
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
R$ 900 bilhões. Esse é o valor que os brasileiros arrecadaram aos cofres públicos em tributos federais, estaduais e municipais. O valor atingido hoje é calculado pelo Impostômetro, ferramenta criada há seis anos pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), e mantida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que faz o registro dos tributos pagos pelos contribuintes nas três esferas governamentais.
No ano passado, o Impostômetro atingiu essa mesma quantia 34 dias mais tarde, em 21 de setembro. Em 2009, este valor foi atingido apenas em novembro. A previsão do Instituto é que a arrecadação dos tributos chegue a R$ 1,4 trilhão em 2011, R$ 200 bilhões a mais do que no ano passado.
De acordo com a ACSP, a velocidade com que o Impostômetro chegou aos R$ 900 bilhões este ano demonstra ''a voracidade da arrecadação tributária''. Além disso, a Associação pontua que em todos os meses de 2011 a arrecadação de impostos do governo federal está batendo recordes. ''A sociedade não aguenta mais pagar tantos tributos. O governo precisa fazer a sua parte e reduzir os gastos'', afirmou a entidade, em nota à imprensa.
Para Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, a ferramenta é significativa porque consegue mensurar como anda a arrecadação em todas as esferas governamentais com um certo detalhamento. Ele explica que este número pode ser explicado graças ao aumento dos impostos associado ao parcelamento de dívidas de anos anteriores feitos pela população, que também são calculados pela ferramenta. ''O governo também acaba recuperando parte de tributos que não foram recolhidos no passado'', destaca.
Entretanto, Gonçalves diz não ter dúvida de que o aumento dos impostos está acontecendo de forma exorbitante ano após ano no País. Ele explica que o interessante seria reduzir os impactos tributários em itens populares, como os produtos da cesta básica, por exemplo. ''O governo tem que fazer sua parte, mas com um detalhe: não adianta reduzir impostos e deixar de investir no que é essencial. Dentro do orçamento, é necessário fazer um direcionamento melhor do dinheiro, eliminando gastos desnecessários'', avalia ele.


