Brasileiros gastam menos com alimentação
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quarta-feira, 20 de junho de 2007
Folhapress 
São Paulo - Os hábitos de consumo dos brasileiros tiveram uma profunda mudança nos últimos 20 anos, segundo livro lançado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento) e pela FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo).
Uma das principais mudanças apontada pelo levantamento é a redução nos gastos com alimentação principalmente entre as classes mais baixas da sociedade, segundo dados levantados com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a POF, entre 1987/1988, os brasileiros gastavam em média 20,4% da renda com alimentação. Esse índice caiu para 18% em 1995/1996 e para 16,7% em 2002/2003.
Esse movimento se deve, principalmente, à redução dos gastos das famílias mais pobres com alimentos. Há 20 anos, a população brasileira que se encaixa entre os 50% mais pobres do País direcionava em média 36% do orçamento para este fim. Em 2002/2003, o índice caiu para 28,1%.
Por outro lado, aumentou o acesso das classes mais baixas a bens de consumo duráveis. Os gastos dos 50% mais pobres com estes produtos cresceu de 5,6% para 8,2%, entre o final da década de 80 e os anos 2002/2003.
''A pesquisa mostra que houve uma desconcetração dos gastos das famílias e uma melhora no bem estar da população, principalmente das classes mais baixas'', avalia uma das organizadoras do livro, a professora do departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco, Tatiane Menezes.
A estabilização econômica, a abertura comercial e o aumento da oferta de crédito no mercado são fatores que estão por trás dos hábitos de consumo dos brasileiros, acrescentou o professor da FEA/USP, Heron do Carmo.
''Desde a implantação do Plano Real (julho de 1994), passamos por alterações fundamentais, principalmente no campo da inflação. Em 1988, por exemplo, se comprava um bem durável em no máximo três prestações, pois não havia crédito para longo prazo'', disse Heron.
Outra mudança apontada na pesquisa diz respeito aos gastos do brasileiros com serviços públicos. De 1995/1996 para 2002/2003, a representatividade das despesas com transportes dentro de serviços públicos passou de 3,8% para 3,9%, enquanto os gastos com telecomunicações aumentaram de 2,1%, para 4,2%.


