Brasileiros gastam 32% a menos no exterior no ano
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A valorização do dólar e a crise econômica no País fizeram com que os brasileiros gastassem 32,1% a menos em viagens no exterior em 2015 do que em 2014, conforme divulgou ontem o Banco Central (BC). A redução de US$ 25,7 bilhões para US$ 17,3 bilhões foi a primeira da série histórica iniciada em 2010 e representou o menor valor desde o primeiro ano da pesquisa, quando foi de US$ 15,9 bilhões.
Também houve redução de 14,6% na receita deixada por estrangeiros no Brasil, que foi de US$ 6,8 bilhões em 2014 para US$ 5,8 bilhões no ano passado. Assim, o saldo negativo em viagens internacionais diminui de US$ 18,7 bilhões para US$ 11,5 bilhões, o que representa menos evasão de reservas internacionais para o governo.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirma que espera que a queda no valor dos gastos no exterior continue em 2016, mas com variação menor do que a do último resultado. "Já teve um ajuste muito forte em 2015", diz. Ele acredita que a variação da cotação do dólar também tende a tornar o País um destino mais atrativo a estrangeiros, o que deve elevar os gastos de estrangeiros neste ano.
Professora de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e especialista em comércio exterior, Maria de Fátima Sales considera que ficou mais caro e difícil para o brasileiro fazer compras no exterior, mas não significa necessariamente que ocorra uma migração das viagens para destinos nacionais. "Seria o caso se a redução dos gastos fosse apenas pela desvalorização do real em relação ao dólar, mas temos também a crise econômica, que faz com que o consumidor gaste menos."
Como boa parte das viagens são negociadas com antecedência, a economista lembra que muitos mantiveram os planos de conhecer outros países mesmo após a escalada da cotação da moeda norte-americana. "O fluxo fica igual no início porque as viagens estavam programadas e o que ocorre é que quem vai ao exterior gasta menos em compras e passeios."
RENDA
Outra diferença diz respeito à renda do turista. Maria de Fátima diz que os mais ricos continuam a viajar e apenas diminui a quantidade de compras, que deixam de valer tanto a pena. "Para a classe média, não é só o dólar, mas a crise, o risco do desemprego, a inflação, e sobra menos dinheiro para o lazer", completa.
A consultora de viagens Lecy Oliveira, da Albatroz Turismo, conta que não viu diferença nas vendas de viagens internacionais em 2015. "O que mudou é o gasto lá fora. Não se vê mais aquelas filas de turistas brasileiros esperando duas malas de 32 kg, cada, mas uma, menor, com algumas lembrancinhas", diz.
Lecy conta que ela mesma fez duas viagens no ano passado para os Estados Unidos, uma para Miami, com a sobrinha, e outra para a Califórnia, com o namorado. "Comprei meus pacotes com antecedência e não tive problemas com a alta do dólar, mas não fiz compras como em outras vezes", diz.
Adaptação
A procuradora da União Cláudia Honesko, de Londrina, pretende manter o costume de conhecer outras culturas e países. Ela conta que faz três boas viagens ao ano e que repensará os planos somente caso a economia nacional piore muito. "Prefiro cortar meus gastos com supérfluos aqui, como comprar menos roupas e sapatos, a cortar o padrão da minha viagem", diz.
Cláudia explica que não usa viagens para consumo de produtos, mas para obter conhecimento, cultura e gastronomia. Por isso, não pretende reduzir o padrão de hospedagem e de restaurantes que frequentará. Ainda, mesmo que diminua a quantidade de pacotes ao ano, ela tem ressalvas sobre a migração para destinos nacionais. "O custo de viagens dentro do Brasil acaba sendo muito alto pela qualidade dos serviços, então nem sempre vale a pena."
Para a professora da UEL, o mesmo se aplica ao turista de fora. "O dólar valorizado contribui para atrair estrangeiros, mas questões como epidemias de dengue e de zika vírus, a segurança ou mesmo a falta de credibilidade por escândalos políticos pode pesar contra o País", diz.



