Após 605 contatos que geraram 246 rodadas de negócios entre 39 empresários brasileiros e parceiros europeus, o Pavilhão Brasileiro na CeBIT’98 comemorou ontem os primeiros contratos e parcerias, que ultrapassaram US$ 1 milhão.
A IB-Media, do Rio de Janeiro, licenciou para a NRG Software, da Inglaterra, 2 mil cópias de seu ‘‘Multimedia Training Builder’’, software educacional para professores e estudantes, destinado a organizar cursos e apresentações, produto mais procurado por visitantes do Pavilhão. Valor do contrato: US$ 400 mil anuais. ‘‘Já temos outro contrato praticamente fechado com holandeses e até o fim da feira esperamos comercializar mais de US$ 1 milhão’’, diz Ivan Bastos, diretor da empresa.
A Pointer, do Recife, fechou contrato com a ZAC, empresa americana de catálogos, para seu software de base de dados, por US$ 350 mil.
A baiana Open-School trouxe seu site de ensino a distância, que ‘‘procura levar educação a todos os povos, em todos os lugares, a todo o tempo, utilizando todas as mídias suportadas pelas mais avançadas tecnologias’’ e já encontrou parceiros alemães e espanhóis que vão traduzir e disponibilizar o site em seus idiomas.
Parcerias semelhantes, para desenvolvimento, foram firmadas pela Epsoft e Eikon, de São Paulo, a primeira com a Neural Response inglesa e a segunda com uma empresa sueca.
Positivo é destaque Mesmo sem ter fechado contratos até ontem, um dos maiores sucessos do Pavilhão Brasileiro na CeBIT é a paranaense Positivo, de Curitiba, que trouxe para a feira cinco jogos pedagógicos para crianças, dois sobre astronomia, um de tabuada, um para ensinar cores, formas geométricas etc. e o ‘‘Alfabeto’’, principal destaque da empresa.
‘‘Trata-se de um quebra-cabeça interativo, onde crianças de até 7 anos aprendem o alfabeto acionando jogos do computador com pedras coloridas, identificadas com letras’’, explica Rebeca Barbalat.
A demonstração do produto, aqui na CeBIT, atraiu centenas de interessados, especialmente de países árabes, além das crianças, que fizeram fila no estande.
Mas o maior lançamento da Positivo, empresa educacional que já fatura R$ 60 milhões por ano com sua divisão de informática (70% com sua marca própria de computadores e 30% com software), está reservado para uma feira internacional de Multimídia em Cannes, França, no mês que vem: é uma caneta tradutora - o usuário passa o sensor sobre o texto e um painel digital vai apresentando a tradução de cada palavra. A versão português-inglês já fez sucesso na CeBIT, embora apresentada apenas em catálogo.
Mudança de Cultura Para Newton Braga Rosa, que faz estatísticas e avaliações sistemáticas sobre a participação brasileira na CeBIT alemã e na Comdex Fall de Las Vegas, tais eventos trazem retorno direto e indireto para as empresas.
‘‘São cinco Comdex e quatro CeBITs até agora, com 230 participações de empresas brasileiras, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões, sendo R$ 3 milhões dos parceiros do Programa Softex (CNPq, Finep, Sebrae e outros) e R$ 7 milhões das próprias empresas’’, raciocina. ‘‘Só teremos números sobre negócios realizados em agosto, quando concluiremos uma pesquisa para avaliar os primeiros cinco anos do Programa, mas é possível adiantar que os ganhos são fantásticos’’.
Baseado em entrevistas com os próprios empresários participantes, em todas as feiras, Braga Rosa sustenta que 25% dos contatos realizados nesses eventos são considerados excelentes. Mas ele chama a atenção para outro tipo de resultado, que na sua avaliação beneficia mais de 80% dos participantes:
‘‘É a mudança de cultura, o empresário que participa de um evento como este jamais volta a ser o mesmo’’ - sustenta. ‘‘Ele faz contatos com clientes mais qualificados e percebe novas aplicações para seu produto; ele também revê sua estratégia para o mercado interno, a partir do conhecimento de seus concorrentes estrangeiros, que logo poderão estar chegando no Brasil; e ele também desmistifica o mercado internacional, percebendo que seus concorrentes vivem as mesmas ansiedades e desafios que ele’’.

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