Brasileiros devem investir R$ 62,8 bi em educação
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Em 2012, os brasileiros vão gastar R$ 62,8 bilhões com Educação, incluindo a compra de material escolar e de livros, bem como pagamento de matrículas e mensalidades. O valor é 7,53% maior que o registrado em 2010 (R$ 58,4 bilhões). Do total previsto para este ano, R$ 28,1 bilhões (44,7%) sairão do bolso da nova classe média, que no período ganhou participação de 14,9% neste segmento. Em 2010, a classe C representou 38,9% dos gastos em Educação. O que esta camada social vai gastar se aproxima do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai. Os dados são da pesquisa ''Volta às aulas 2012'', realizada pelo Data Popular.
Enquanto a nova classe média brasileira aumenta a sua participação, a contribuição da ''alta renda'' recua. As classes A e B foram os grupos sociais que mais perderam espaço na Educação. Era 57,7% em 2010 e a previsão para este ano é de 51,6%, o que representa R$ 32,4 bilhões. As classes D e E, por sua vez, tinham participação de 3,4% e para este ano será de 3,7%. A previsão de gastos é de R$ 2,3 bilhões.
''Com a renda maior, a nova classe média Brasileira investe fortemente na educação dos filhos. Esse ano, dos R$ 62,8 bilhões que serão destinados à educação, R$ 28,1 bilhões sairão dos bolsos desse público que está fazendo a diferença no País. Para a nova classe média brasileira, a escola particular oferece não apenas um estudo de qualidade, mas a garantia de que o filho está sendo monitorado de forma adequada'', relatou Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.
De acordo com a pesquisa, quanto maior a renda, menor a representatividade do gasto com livros e material escolar sobre o total. Enquanto para a elite esses itens comprometem cerca de 15% do dinheiro que será destinado à educação, para os emergentes a despesa atinge 47,83%. Entre os integrantes da nova classe média, a participação dos artigos escolares é inferior a um quarto do total, ou seja, 23,84%.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, credita esse incremento de investimento em educação à atual situação do País. ''É resultado do mercado de trabalho aquecido, do desemprego baixo e do ritmo de crescimento da economia'', aponta. No caso da classe C, o principal fator é o aumento do salário. ''Quando há um aperto, as classes C, D e E cortam, primeiramente, os gastos com educação porque alimentação e vestuário já são bem limitados'', explica.
Na avaliação de Curado, a pesquisa do Data Popular significa um progresso para a população brasileira. ''Não quer dizer que as classes A e B estão menos preocupadas com educação, mas sim que uma fatia da população (classe C) que estava de fora passou a usufruir mais desse serviço'', relata. ''E para nós, economistas, a educação é o meio mais eficaz para o indivíduo se ascender socialmente porque o profissional mais qualificado é melhor remunerado e tem chances de mudar o seu padrão de vida'', reitera.
O professor acrescenta que o incremento nos gastos com educação é positivo tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. ''É um investimento no futuro que tende a trazer resultados positivos também para a economia.''



