Brasileiro vai usar 13o para pagar dívida
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
Fábio Galiotto<BR>Reportagem Local 
O 13º salário servirá para que 62% dos consumidores do País possam pagar dívidas neste fim de ano, segundo pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Das 612 pessoas ouvidas em outubro pela entidade, 77% têm contas em aberto no cartão de crédito e no cheque especial, as duas modalidades com juros mais altos.
O estudo diminui o otimismo no comércio para novembro e dezembro, com queda de 12,5% em relação ao mesmo período de 2012 no número de brasileiros que pretendem comprar presentes com o salário extra. O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que a pesquisa revela a preocupação dos consumidores com os gastos neste ano. "Isso demonstra que a redução da atividade econômica e a inflação mais elevada aumentaram o endividamento dos consumidores", escreveu em nota.
Prova é a intenção de gastos no período, conforme o levantamento. Se 24% das pessoas pretendiam usar mais de R$ 500 em compras no fim do ano em 2012, a fatia caiu para 20% neste ano. Sobre os produtos que o consumidor planeja comprar, o diretor da Anefac afirma que os de valor agregado maior, como eletrônicos e eletrodomésticos da linha branca, devem ser preteridos em 2013.
O telefone celular, porém, segue em alta na preferência popular, com 74% de intenção de compra. Na sequência aparecem roupas (70%), eletroeletrônicos e eletroportáteis (68%), bens diversos (63%) e brinquedos (53%).
Alerta
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, afirma que os números deixarão o comércio em alerta. "As pessoas estão mais preocupadas em resolver as dívidas, o que mostra uma preocupação com o futuro."
Ele lembra que a maioria dos consumidores tem débitos justamente em modalidades de pagamentos com "os piores juros que existem". De fato, segundo a Anefac, os encargos com o cartão de crédito rotativo atingem 9,37% ao mês (192,94% ao ano) e com o cheque especial, 7,83% ao mês (147,10% ao ano). "São formas de pagamento de impulso, que são as mais fáceis de se fazer e as mais difíceis de se livrar."
Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira, não foi apenas a alta dos preços durante o ano que atrapalhou. "A inflação é uma das causas, porque representa perda da capacidade de consumo, mas teve também a alta dos juros, que encareceu os financiamentos, e isso sem que houvesse grande aumento na massa salarial como nos anos anteriores", diz ele, que também é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Por isso, a previsão é de que as vendas de fim de ano sejam menos aquecidas do que o esperado. O presidente da Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomércio-PR), Darci Piana, acredita que a contratação de temporários não será tão grande como em outros anos. "Trabalhávamos com estimativa de crescimento de 8% nas vendas neste ano e já estamos esperando de 6% a 6,5%. Se descontarmos uma inflação de 5,8%, ao menos o índice ainda fica positivo e se evitam possíveis demissões", conta.
Mesmo assim, Piana acredita que seja necessária uma ampliação de 10% nas vendas de fim de ano sobre o mesmo período do ano passado para chegar aos 6,5% durante 2013. Ele diz ser possível, principalmente pelo bom momento vivido pelo agronegócio no interior. "As vendas na capital são dois pontos percentuais menores do que no restante do Estado, principalmente pela boa safra e pelas vendas aquecidas de commodities."


