Brasileiro prioriza gasto com férias
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Os brasileiros estão mais preocupados com as férias. O que antes era considerado prioridade de consumo, ficou em segundo plano e deu lugar ao lazer. Pesquisa da Nielsen sobre as intenções de gastos no final do ano mostra que o consumidor está em busca de experiências. As férias (citadas por 29% dos entrevistados) estão no topo da lista dos produtos e serviços com os quais os brasileiros pretendem gastar mais dinheiro com relação a 2010.
De acordo com Mário Ruggiero, diretor comercial da Nielsen, o consumidor está se distanciando de produtos básicos e buscando um consumo mais sofisticado e as viagens de férias são um dos indicadores dessa tendência. ''Neste ano, houve uma desaceleração do crescimento dos bens de consumo de massa, como a cerveja e o refrigerante, e um investimento maior em entretenimento, como as viagens'', ressalta.
Conforme a pesquisa, na lista de prioridades do brasileiro, viajar vem antes de comprar roupas (26%), eletrônicos (25%) e livros (24%). A pesquisa da Nielsen, que mede a intenção de gastos de fim de ano em diversas partes do mundo, mostrou que os brasileiros estão entre os mais otimistas no planeta: 21% dos consumidores do País pretendem gastar mais neste fim de ano do que no mesmo período do ano passado.
Na média da América Latina, este índice não passa de 15%, enquanto nos Estados Unidos somente 6% planejam aumentar os gastos no fim de ano. Na Europa, onde vários países passam por uma severa crise econômica, a média não é superior a 5%.
''A viagem é um símbolo de ascensão social. As pessoas hoje já têm a possibilidade de pensar o que era inimaginável até pouco tempo atrás, como viajar para o exterior. É um símbolo de migração para outros tipos de consumo'', avalia Ruggiero.
Para o economista Ernesto Lozardo, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a mudança de bens tangíveis (roupas, produtos eletrônicos e de tecnologia) para intangíveis (férias) está intimamente ligada ao ganho de poder aquisitivo da população nos últimos anos. ''É um indicativo de que o brasileiro já está atingindo um nível de satisfação de bens materiais, com uma série de confortos domésticos. Agora, começa ir atrás de comprar o próprio bem-estar.'' (Com Agência Estado)


