Entre os 30 países que têm a maior carga tributária, o Brasil é o que oferece o pior retorno em benefícios à população em serviços como educação, saúde, saneamento, infraestrutura e outras responsabilidades do governo. O cálculo do Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (Irbes), realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que os brasileiros são os que veem menos retorno dos impostos que pagam.
Segundo o estudo, em 2011, a carga tributária brasileira foi de 35,13%, o IDH de 0,718 e o Irbes ficou em 135,83. Devido à arrecadação altíssima e o péssimo retorno dos valores, o País ficou atrás, inclusive, de outros países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.
O levantamento é resultado da somatória da carga tributária, ponderada percentualmente com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). ''O IDH tem ponderação de 85% no Irbes e a carga tributária pesa 15%. Entendemos que o retorno é muito mais importante do que ter uma carga alta'', explica o presidente do IBPT, João Eloi Olenike.
O melhor resultado é o da Austrália, que tem uma carga tributária bem menor que a do Brasil (25,90%), IDH de 0,929 e retorno de 164,18 pontos. Os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão vêm em seguida (confira os índices no quadro), mostrando que são os países que melhor fazem aplicação dos tributos arrecadados, em termos de melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos.
De acordo com Olenike, mesmo nos países que têm uma carga tributária alta, se há retorno de qualidade para a população em termos de serviços, não existe reclamação sobre os impostos pagos.
É a segunda vez que o Brasil fica no final do ranking. No ano passado, quando foi realizada a primeira edição do Irbes, o País também ocupou a 30 posição devido à sua arrecadação altíssima e retorno ruim. ''O Brasil não investe em infraestrutura e qualidade de vida para a população e isso acaba refletindo no IDH e no Irbes e, por isso, ficou novamente como último colocado'', avalia Olenike. ''Neste período não mudou nada; continua ruim, bem distante, inclusive, dos índices do 29º colocado'', acrescenta.
O presidente do IBPT reitera que para subir no ranking, é necessário que o Brasil tenha uma carga tributária melhor em relação ao PIB e IDH maior. ''Só vamos conseguir isso por meio de uma reforma tributária e melhor administração voltada à infraestrutura, com menores impostos'', acredita.
Conscientização
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante, há alguns anos várias entidades empresariais conduzem um trabalho de conscientização sobre o número e o porcentual de impostos cobrado no País. ''O que percebemos é que o imposto arrecadado nem sempre é bem empregado. Temos uma saúde que não atende bem as necessidades da população, a educação deixa a desejar e tantos outros serviços que não funcionam e que, por isso, o cidadão paga dobrado. Se quiser ter atendimento de qualidade, paga plano de saúde, coloca filhos em escolas particulares e por aí vai'', diz.
Ele considera que a conscientização é necessária porque muitas pessoas acham que não pagam imposto. ''Todos pagam e pagam o tempo todo: 33% do valor de um carro são impostos, o cafezinho tem embutido 36,52% de impostos, 35% do valor do macarrão são impostos'', exemplifica. ''A pesquisa do IBPT mostra que o brasileiro está insatisfeito com o retorno que o governo dá a ele. Passou da hora de cobrarmos mais eficiência na gestão pública'', reitera.

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