Brasileiro não sabe exportar, diz embaixador
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Rosana Félix<BR>De Curitiba 
O empresariado brasileiro ainda não está bem preparado para exportar, principalmente para novos mercados, afirmou ontem o embaixador do Brasil em Gana, Paulo Américo Veiga Wolowski. Ele esteve em Curitiba para participar do 8º Seminário de Comércio Exterior do Paraná, promovido pela Associação Comercial do Paraná (ACP).
''Lamentavelmente tenho que dizer isso, mas é o que revela a minha experiência'', afirmou Wolowski. Para ele, o empresariado brasileiro deveria investir mais em mercados alternativos, como na África. ''Parece que ele chega lá com medo, mas não há motivos para isto'', disse. Ele citou dados que mostram que as exportações do Brasil no primeiro semestre aumentaram 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as vendas apenas para a África do Sul cresceram cerca de 50%.
O coordenador do Conselho de Comércio Exterior da ACP, Luiz Alberto de Paula César, disse também que o Brasil não tem uma cultura de exportações, mas o empresariado e as associações comerciais têm atuado para reverter esta situação. ''Nós vemos que o empresariado está mudando a cultura e é por meio de seminários, como o que ocorreu hoje (ontem), integração com câmaras de comércio, consulados, que queremos fortalecer o empresário para que ele tenha maior coragem para enfrentar o desafio da exportação'', avaliou.
Para incrementar as vendas externas, a ACP vai participar de uma rodada de negociações com associações comerciais e empresários dos países do Mercosul a partir de setembro. ''Queremos levar para o lado prático do processo'', relatou César.
Para César, é preciso que o empresariado crie também a cultura do corporativismo. ''Sozinho ele não vai conseguir atingir objetivos, porque há grandes investimentos que precisam ser feitos. Através de corporativismo é possível conseguir linhas de crédito, o que facilita muito'', afirmou. A concessão de ferramentas e crédito por parte do governo federal para as exportações foi o principal enfoque do seminário de ontem. ''Nossa intenção era mostrar o que o governo está oferecendo para os empresários interessados em exportar'', salientou.
De acordo com o assessor técnico da Agência de Promoções de Exportações (Apex), Rogério Belline, o empresário pode contar com incentivos de 50% para exportar os produtos que fabrica. ''Mas é preciso que se forme um consórcio de empresas, porque como órgão público não podemos beneficiar ninguém'', explicou. No Paraná, a agência investiu em vendas de uma empresa de confecções de Maringá, e outra em Apucarana, de bonés. A Apex, criada em outubro de 1997, colaborou desde então com 115 projetos, que totalizaram R$ 476 milhões. A Apex investiu 41,20% desse total.


