Brasileiro investe cada vez mais no próprio negócio
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sábado, 29 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Curitiba - Uma pesquisa realizada pelo Banco Santander mostra que 99% das empresas na América Latina estão no segmento das micros, pequenas e médias (PMEs). Apesar do elevado número, o grau de empreendedorismo na região é menor que o visto nas economias desenvolvidas. Segundo o levantamento, países ricos têm 53,8 empreendimentos de micro, pequeno e médio porte para cada mil habitantes. Na América Latina, o indicador está na metade. Segundo informações do Sebrae-PR, no Brasil e no Paraná, as PMEs também são 99% das empresas do País e do Estado.
Entre o universo das PMEs latino-americanas, a maioria é composta por microempresas: o segmento responde por 90% dos pequenos e médios negócios. Em seguida, aparecem as pequenas, que são cerca de 8%. Com participação menor, estão as médias, com fatia de 1,5% do mercado, e as que já podem ser consideradas uma "grande PME", com 0,4% desse universo de empreendedores.
O presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (Conampi), Ercílio Santinoni, explicou que as grandes empresas estão investindo cada vez mais em equipamentos e menos em pessoal. Com isso, a saída para o brasileiro foi abrir o seu próprio negócio. Por este motivo, ele acredita que as PMEs representam a quase totalidade de empresas no Brasil. "As pessoas estão se capacitando mais e, por isso, a mortalidade das empresas é menor", destacou.
Para ele, o número de PMEs nos países ricos ainda é maior porque nestes locais quase não há informalidade. "A hora que todas as micros e pequenas empresas se formalizarem no Brasil podem chegar ao nível dos países desenvolvidos. Cada dia que passa, o índice de formalização é maior", destacou. Segundo Santinoni, o receio dos brasileiros para formalizarem o próprio negócio é o custo dos tributos. No Brasil, hoje o nível de informalidade está acima dos 50%. Ainda conforme o presidente da Conampi, hoje há 7,4 milhões de PMEs formais no País, para cerca de 9 milhões de informais. "Temos muito trabalho pela frente", declarou. No Paraná, são 540 mil formais.
Carlos do Rocio Fernandes Tetzlaff, 58 anos, é um dos paranaenses que entrou para o grupo das empresas formais. Ele trabalha há quase 40 anos prestando serviços de pintura e elétrica e resolveu abrir a microempresa para poder emitir nota fiscal para atender os clientes. "Abri a empresa há um ano. É uma segurança para mim e para os clientes", disse. Tetzlaff contou que começou na atividade trabalhando com o pai dele.
Subsistência
O estudo do Santander foi apresentado na última semana, pelo diretor geral da divisão América do Santander, Javier San Félix, que chamou atenção para o fenômeno de diferenciação entre as microempresas "econômicas" e de "subsistência".
"Um alto porcentual das PMEs da América Latina respondem a um objetivo de autoemprego ou subsistência e não a uma ambição ou potencial de crescimento. Essas PMEs têm uma informalidade ainda maior e o seu desenvolvimento, acesso ao crédito, produtividade e, inclusive, potencial de se manter aberta estão ainda mais comprometidos", disse Félix. Segundo Ercílio Santinoni, ainda há muitas PMEs que surgem com objetivo de subsistência no Brasil.
Realizado com dados do Banco Mundial, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o estudo mostrou que cerca de metade das PMEs está na informalidade na região. Apesar dessa situação, a geração de empregos nesse segmento é idêntica à vista nos países ricos: nas duas regiões, dois a cada três trabalhadores são empregados por uma pequena e média empresa. (Com Agência Estado)
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