Brasileiro gasta R$ 2,5 bi com cabelos
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sábado, 17 de julho de 2004
Carlos Franco<br>Agência Estado 
São Paulo - O brasileiro gastou R$ 2,5 bilhões no ano passado em produtos para o cabelo, 6% a mais do que em 2002, e a previsão é que esse mercado cresça entre 6% e 8% este ano. Bom para as empresas, especialmente as líderes de mercado como Unilever (Seda e Dove), L'Oreal (Garnier e Colorama), Colgate-Palmolive (Palmolive), Procter & Gamble (Pantene) e Nivea, além das que oferecem produtos mais caros e exclusivos como OX, Phytoervas, Natura, Nazca e Mahogany.
Em resposta ao crescimento, as empresas disputam consumidores com mais e mais lançamentos. De produtos para pré-lavagem, a mais recente novidade nas prateleiras, lançada este mês pela Unilever, passando por xampus, condicionadores, hidratantes, cremes para pentear, alisar e tinturas, são muitas as novidades para cabelos que chegam todos os dias às prateleiras do varejo, alguns novos como os cremes para sol, cabelos tingidos e uma infinidades de outras classificações.
O consumidor tem correspondido. Segundo pesquisa Ibope/Latin Panel, os xampus estão em 86% dos domicílios do País e os produtos para tratamento, como condicionadores, cremes de pentear, cremes hidratantes, em 76% dos lares. Há, portanto, um espaço a ser preenchido pelas vendas - e nem sempre quem usa xampu compra outros produtos da linha.
Muitos produtos apresentam apenas variações sensoriais - cor e perfume - sem nenhuma inovação técnica ou química. Ainda assim, vendem e muito. A observação é de Denise Steiner, médica dermatologista e uma das mais respeitadas pesquisadoras de couro cabeludo e cabelos no País. ''A indústria oferece o sonho de toda mulher, que é ter aquele cabelo liso ou encaracolado de fios longos, sedosos e desembaraçados. E ela compra'', diz Denise, sem deixar de observar que o consumidor masculino também está mais vaidoso e alimenta essa cadeia industrial.
A gerente de Xampus da Unilever, Andrea Rolim, garante, no entanto, que muitos produtos foram lançados em função de necessidades apontadas pelo consumidor em pesquisas; outros são fruto de desenvolvimento químico e tecnológico - é o caso dos inibidores de queda ou os usados no combate à caspa e seborréia do couro cabeludo. ''No Brasil, apesar da diversidade étnica, até 4 anos atrás não havia produtos específicos para negros, nem para cuidados especiais onde o sol é intenso. Muitas novidades pretendem atender melhor um consumidor que sempre usou produtos que não eram específicos para o seu tipo de cabelo ou condição climática a que está exposto.''
Novidades - A especialista Denise Steiner concorda. ''Os produtos étnicos são uma das grandes mudanças dos últmos anos e atendem um mercado importante da população brasileira, onde mais de 50% têm cabelo encaracolado ou crespo''. Da mesma forma, com a média de idade da população brasileira mais alta, surgiram xampus, condicionadores e cremes para cabelos brancos e grisalhos.
Dona de uma fatia de 37,2% do mercado brasileiro de xampus e de 34,3% do de produtos para tratamento, incluindo condicionadores, a Unilever está inundando as prateleiras com lançamentos. Um deles, o Seda Guaraná, oferece apenas a mudança sensorial citada por Denise, apesar do fator ativo mais concentrado. ''Muitas vezes o consumidor quer mudar o cheiro do produto, usar um que oferece uma sensação de maior bem estar e limpeza. A indústria tem de estar atenta a isso'', justifica Andrea.
O império francês L'Oreal não fica de fora da disputa. A dona de uma fatia de 17,1% do mercado de xampus também acelera os lançamentos das linhas Garnier e ainda mantém nas prateleiras o popularíssimo Colorama. Com 15% do mercado de tratamento, a empresa também tem inovações. A Procter & Gamble, apesar de uma participação modesta, que não chega a 3% do mercado, deve ser vitaminada com os produtos da Wella, empresa que comprou no ano passado no exterior. Seus destaques além de Pantene e Pert Plus, passam pela linha Head & Shoulders, de tratamento de cabelos.
Testes de beleza - São consumidores como a menina Pamela Barbosa Curvelo da Silva, de 9 anos, filha da operária petroquímica Genicélia Barbosa, de 31 anos, que dão impulso aos novos lançamentos da indústria. Com cabelos encaracolados, como a maioria dos brasileiros, ela gasta o que for preciso para torná-los mais lisos e sedosos. Para isso, abre mão até de outros desejos infantis. ''Meu sonho é ser aeromoça e elas têm de ter o cabelo liso para fazer coque. Eu cuido dos meus.''
Moradora de Heliópolis, a maior favela de São Paulo, Pamela não se incomodou em enfrentar fila na última quinta-feira para ganhar um exame grátis do tipo de cabelo no caminhão da Unilever, que fica na favela até o próximo domingo.


