São Paulo - Se depender do consumo doméstico, a indústria, especialmente a de alimentos, artigos de vestuário e eletroeletrônicos voltados para a baixa renda, tem mercado potencial de sobra para crescer, caso a economia se recupere de forma sustentada nos próximos meses. De cada R$ 100 que vão para o bolso do brasileiro, R$ 93,86, em média, destinam-se ao consumo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ímpeto do brasileiro para ir às compras ganha contornos mais expressivos na baixa renda. Para as famílias com rendimento mensal de até R$ 400, a propensão média a consumir é de 94,6%, enquanto nas faixas com renda mensal superior a R$ 6 mil, esse índice é de 69,89%.
''Há uma mercado enorme, já que somos 182 milhões de consumidores potenciais'', ressaltou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes. Ele traçou um retrato da população brasileira no seminário ''Brasil Consumo - Como explorar esse potencial'', realizado quinta-feira em São Paulo.
De acordo com Nunes, a desigual distribuição de renda faz que esse potencial não se manifeste de forma plena. Os números do IBGE mostram que 46% da renda está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres detêm apenas 0,5% da renda. Outro dado apontado pela Pesquisa de Orçamento Familiar é que 85% das famílias têm dificuldade de fechar o mês com os próprios rendimentos.
Apesar desses entraves, grandes redes varejistas, como a Casas Bahia, continuam crescendo a todo vapor, observou Nunes. Segundo ele, o milagre do consumo, mesmo com a renda contida é explicado pelo crédito e pela habilidade dos varejistas de buscarem o público certo.
Ricardo Monteiro, gerente Marketing Corporativo da P&G, uma das gigantes do setor de higiene, disse que 70% das vendas de fraldas Pampers, uma das líderes do setor, são voltadas para a classe C, de menor poder aquisitivo. Ele observa que, além do crédito, o consumidor sabe identificar os produtos de melhor qualidade e tem as suas preferências específicas. ''Os indivíduos não querem ser tratados como manada'', disse o consultor Ricardo Neves.

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